PUBLICIDADE

Ela devolvia autoestima das pessoas todo dia e não sabia que um dia a filha devolveria algo muito maior em SC

Cláudia Pires sempre foi a mulher que cuidava de todo mundo. Dona de um salão de beleza em Florianópolis, ela passava os dias devolvendo autoestima para as clientes, cuidando de funcionários e da família. Aprender a ser cuidada foi a lição mais difícil da vida dela, e ela precisou aprender depressa. Clique e receba notícias […]


Cláudia Pires sempre foi a mulher que cuidava de todo mundo. Dona de um salão de beleza em Florianópolis, ela passava os dias devolvendo autoestima para as clientes, cuidando de funcionários e da família. Aprender a ser cuidada foi a lição mais difícil da vida dela, e ela precisou aprender depressa.


Clique e receba notícias do Jornal Razão em seu WhatsApp: Entrar no grupo

Em setembro de 2025, manchas vermelhas e roxas surgiram pelo corpo. Cláudia achava que era uma virose. Os exames mostraram outra realidade: as plaquetas estavam perigosamente baixas e, após internação e mais exames, o diagnóstico confirmado foi leucemia.

“Você perde o chão, mas tem que tirar força de algum lugar e seguir em frente”, recorda Cláudia Pires, de 55 anos.

Meses de quimioterapia e uma decisão urgente

O diagnóstico mudou a rotina da família inteira. Meses de quimioterapia antecederam a indicação do transplante de medula óssea, considerado um dos principais tratamentos para casos de leucemia aguda. A partir daí, começou a busca por um doador compatível.

Os primeiros testes foram feitos entre familiares. Irmãos, sobrinhos e filhas de Cláudia fizeram os exames. Parte da família saiu de São Paulo para participar da mobilização.

Os resultados chegaram em 24 de dezembro, véspera de Natal. A filha caçula, Natália Pires, de 32 anos, era compatível.

“Quando ela começou a falar os nomes compatíveis… meu irmão Marcelo, minha filha Marcela e minha filha Natália… foi só choro. Só agradecimento. É muito forte saber que minha filha pôde doar a medula dela para mim e devolver minha vida”, disse Cláudia.

“Foi em pleno dia 24 de dezembro. O Natal sempre foi muito especial na nossa família. Foi o melhor presente que a gente podia ter recebido”, conta Natália.

27 dias de isolamento

O transplante aconteceu em março. Dois dias antes, Natália passou pelo procedimento de doação da medula, que pode ser feito por coleta diretamente da região da bacia, com anestesia, ou por aférese, processo semelhante à doação de sangue em que células-tronco são separadas por uma máquina.

O transplante marcou o período mais delicado do tratamento. Cláudia ficou 27 dias internada em isolamento total. A filha mais velha, Marcela, acompanhou a mãe durante todo o processo dentro do hospital.

“Era só eu e ela dentro do leito. Eu deixei meu filho pequeno em casa, meu marido… e todos os dias não tem como a gente não sofrer com isso”, relembra Marcela.

A família documentou cada etapa do processo, desde o momento em que Cláudia raspou o cabelo, acompanhada pelas filhas e outros familiares, até a notícia de que Natália era compatível para o transplante.

“Poder devolver a vida para a minha mãe… acho que não tem palavras para descrever o sentimento. É um procedimento relativamente simples para quem doa. E quem está esperando vive uma espera muito difícil. É quase um milagre”, afirma Natália.

Uma em cada 10 mil

Nem todos os pacientes encontram um doador compatível dentro da própria família. Em muitos casos, a compatibilidade depende do banco nacional de doadores de medula óssea.

Em Santa Catarina, 169 pessoas aguardam atualmente por um transplante de medula óssea, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O estado possui cerca de 30 mil pessoas cadastradas como possíveis doadoras.

O diretor-técnico do Hemosc, Guilherme Genovez, explica que a diversidade genética brasileira torna a busca ainda mais complexa.

“A chance de encontrar compatibilidade pode ser de uma para cada 5 mil ou até 10 mil pessoas”, afirma Guilherme Genovez.

A supervisora de enfermagem do Centro de Transplante de Medula Óssea do Hospital Baía Sul, Heloísa Alves, reforça que, apesar de o procedimento parecer simples na teoria, a jornada é intensa.

“São muitos momentos de internação e cuidados. O paciente precisa compreender o processo para conseguir atravessar tudo isso da forma mais tranquila possível”, afirma Heloísa Alves.

O presente que veio da própria filha

A medula pegou. Cláudia segue em acompanhamento médico, mas está em casa, no salão, no meio das pessoas que ama. A mulher que passou a vida devolvendo autoestima para quem entrava no seu salão recebeu de volta algo que nenhum procedimento estético poderia oferecer: a própria vida, nas mãos da filha caçula.

“Devolveu a minha vida”, resume Cláudia Pires.

Quem quiser se cadastrar como doador de medula óssea pode procurar um hemocentro ou posto do Hemosc mais próximo. O cadastro é gratuito e pode salvar uma vida.

Com G1 SC.



Fonte: Jornal Razão

Leia mais

PUBLICIDADE