
Boa parte dos brasileiros vai começar a sentir o calor dos efeitos climáticos do fenômeno El Niño a partir do mês de agosto deste ano. Confirmado por orgãos de meteorológicos em julho, ele deve ser, mais forte e duradouro, do que o registrado nos anos de 2023 e 2024. A reta final do inverno pode ser uma boa oportunidade para quem pretende comprar um ar-condicionado, com preços mais baratos de instalação, aliado as promoções de varejistas online como Amazon, Mercado Livre e Magalu.
E foi pensando exatamente neste cenário, que o TechTudo conversou com especialistas para entender se realmente vale a pena comprar um ar-condicionado neste período do ano. O pesquisador do Inpe ( Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Gilvan Sampaio, especialista em Meteorologia, comentou sobre os efeitos mais graves do efeito El Niño com o calorão que está por vir. Já Cesar Messano, representante da Midea e Nicholas Zimath da Daikin, explicaram sobre a demanda das marcas nesta época do ano. Veja a seguir mais informações sobre o assunto.
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Confirmação do Super El Niño pode provocar ondas de calor extremo em várias regiões do Brasil
Agência Brasil
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1. O que é o Super El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica o regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do mundo. Quando o aquecimento é muito intenso, costuma ser chamado popularmente de Super El Niño.
Segundo boletim divulgado na primeira quinzena de julho pelo Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, vinculado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 81% de chances de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante o segundo semestre de 2026 e permanecer até o outono de 2027, com o pico, com aquecimento de até 3 ºC das águas do Pacífico, podendo acontecer entre os meses de novembro, dezembro e janeiro.
O Doutor em Meteorologia e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilvan Sampaio, afirma que, no Brasil, os impactos do fenômeno já devem começar a ser sentidos já no fim do mês de julho, com o aumento das chuvas nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em agosto, o restante do país deve ser impactado com temperaturas acima da média e o início das ondas de calor.
Fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico
NASA
“Com a confirmação do El Niño ainda no segundo semestre de 2026, vamos ter temperaturas mais altas em todo o país. Teremos um final de inverno mais quente que o habitual e ocorrências de episódios mais frequentes de ondas de calor, principalmente na primavera e no verão. Para os estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste, sul da Amazônia e sul do Nordeste, também teremos em setembro e outubro, além do calor, um tempo muito seco, com baixa umidade e pouca chuva”, explica Gilvan Sampaio.
O pesquisador alerta que, diferentemente do que anda circulando em redes sociais e grupos de mensagens, ainda não é possível prever com exatidão quanto mais quente serão os próximos meses por conta de fatores atmosféricos, geográficos, por conta da grande extensão territorial do Brasil. Por isso, situações de calor extremo, como as ocorridas nos Estados Unidos e Canadá durante a Copa do Mundo, e Europa, com os termômetros ultrapassando os 45ºC em regiões da Espanha, França e Portugal, num primeiro momento não devem se repetir no Brasil.
“Não há motivo para pânico, nem evidências de que o El Niño esteja associado a grandes catástrofes ou a temperaturas de 50°C, como algumas informações que circulam na internet sugerem. O que nós sabemos que é um El Niño de intensidade forte a muito forte que vai provocar calor acima da média em todo o país e muita chuva na parte sul do Brasil”, completa o pesquisador do INPE.
Expectativa do clima durante o El Niño 2026/2027
2. Como a previsão de calor pode influenciar os preços dos aparelhos
O mercado de climatização segue uma dinâmica bastante previsível. Durante o inverno, a procura por aparelhos diminui, levando fabricantes e varejistas a promover campanhas para estimular as vendas. Com a aproximação do verão, especialmente quando há previsão de temperaturas acima da média, a procura cresce rapidamente. Esse movimento pode reduzir o número de promoções, elevar os preços e diminuir a disponibilidade dos modelos mais procurados, principalmente os equipamentos inverter com maior eficiência energética.
Além disso, fabricantes costumam ajustar sua produção de acordo com a demanda esperada. Quando a procura supera as previsões, alguns modelos podem apresentar prazos maiores de entrega. Questões logísticas também podem afetar o abastecimento. Como a maior parte dos aparelhos é produzida nas fábricas da Zona Franca de Manaus, o transporte até os grandes centros consumidores pode demandar mais tempo, especialmente em períodos de alta demanda.
Segundo Nicholas Zimath, engenheiro de Produtos da Daikin, a indústria vem se preparando para atender ao aumento da procura provocado pelas ondas de calor. “Segundo estimativas da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), a produção industrial do setor projeta aumentos expressivos da demanda para acompanhar as ondas de calor no país. A Daikin preparou seu planejamento operacional e logístico, desde a fábrica até a rede de distribuição, reforçando os estoques de componentes críticos e de equipamentos acabados para mitigar impactos na cadeia de suprimentos”, explica.
Já Cesar Messano, gerente de Marketing de Produto RAC da Midea Carrier, ressalta que a fabricante está preparada para o aumento repentino das vendas de ar-condicionado, mas pondera que mesmo com o planejamento da indústria, pode haver gargalos pontuais diante de um aumento muito rápido e concentrado da demanda.
“Em episódios de calor intenso, pode haver pressão pontual sobre determinados modelos e capacidades mais procuradas, além de prazos maiores para entrega e, principalmente, para instalação. Isso não necessariamente significa um aumento generalizado de preços. Esse cenário depende dos estoques de cada varejista, das campanhas promocionais, dos custos da cadeia de suprimentos e da intensidade da procura em cada região”, afirma o gerente da Midea.
Aumento da demanda pode impactar a oferta e o preço dos aparelhos de ar-condicionado
Reprodução/Redes Sociais
3. Vale a pena antecipar a compra antes das ondas de calor?
Para quem já planejava adquirir um aparelho de ar-condicionado, antecipar a compra para o final de julho e início de agosto, pode ser uma decisão altamente vantajosa. Além de evitar a correria da alta temporada de calor, o consumidor costuma encontrar condições mais favoráveis para realizar a compra.
Entre os principais benefícios estão preços mais competitivos, maior variedade de marcas e capacidades disponíveis, mais opções de parcelamento, prazos de entrega mais rápidos e a possibilidade de instalar o equipamento antes do aumento da demanda. Outro aspecto importante é o menor risco de enfrentar falta de estoque, situação comum nos períodos de calor intenso.
“Já percebemos o consumidor mais atento às previsões climáticas, que começa a pesquisar o modelo desejado de ar-condicionado e preço com antecedência. O histórico recente de temperaturas elevadas também mudou um pouco o comportamento de compra: muitas pessoas entenderam que deixar a decisão para o momento em que a onda de calor já começou pode significar menos opções de modelos, variação de preços e maior dificuldade para agendar a instalação. Por isso, para quem já pretende comprar, antecipar a pesquisa e a instalação é a decisão mais segura”, orienta o representante da Midea.
Comprar ar-condicionado durante o inverno pode ser uma boa alternativa para economizar
Reprodução/Redes Sociais
4. Economia na instalação do ar-condicionado
A instalação representa uma parcela significativa do investimento em um ar-condicionado split. Durante o verão, os instaladores costumam ter agenda lotada por várias semanas. Com o aumento da procura, o valor do serviço sobe e alguns consumidores chegam a esperar mais de um mês para instalar o equipamento.
No inverno, o cenário é o oposto. A demanda diminui significativamente, o que resulta em preços mais baixos, maior disponibilidade de profissionais e prazos reduzidos. Dependendo da região, empresas do setor estimam que o custo da instalação pode ser inferior à metade do praticado nos meses de maior procura.
“Um dos principais gargalos observados durante os períodos de calor extremo no Brasil não é apenas a disponibilidade física dos aparelhos nas prateleiras, mas também a capacidade operacional da rede de instalação credenciada. O aumento repentino da demanda costuma gerar filas de espera por instaladores qualificados. Por isso, a recomendação é que a preparação do ambiente seja feita de forma planejada”, ressalta Nicholas Zimath.
O engenheiro complementa que a compra antecipada, além de proporcionar economia na aquisição do aparelho e na instalação, também permite agendar o serviço com profissionais credenciados sem a pressa típica do pico do verão. Isso garante a correta execução de procedimentos críticos, como a realização do vácuo na tubulação, o teste de estanqueidade e o dimensionamento elétrico, preservando a vida útil do compressor e mantendo a garantia de fábrica.
Projeto de instalação ar-condicionado é fundamental para a instalação correta e a boa climatização do ambiente
Arte/TechTudo
5. Como escolher o equipamento ideal
A escolha do ar-condicionado ideal depende principalmente do tamanho do ambiente, da incidência de sol, do número de pessoas que utilizam o local e do tempo diário de funcionamento.
Os modelos inverter são os mais indicados, já consomem menos energia do que os aparelhos convencionais, pois ajustam continuamente a velocidade do compressor de acordo com a necessidade de refrigeração. Para aumentar a eficiência e reduzir o consumo de energia, recomenda-se optar por equipamentos com Selo Procel de Economia de Energia ou classificação A na ENCE (Etiqueta Nacional de Conservação de Energia).
O representante da Daikin destaca que pesquisar e avaliar as opções antes da compra permite ao consumidor analisar fatores relacionados ao consumo de energia, o que pode representar economia significativa ao longo dos anos, com a redução dos gastos na conta de luz durante os períodos de uso intenso.
“Ao comprar com calma, o consumidor consegue ter a chance de selecionar equipamentos com tecnologia inverter de alta eficiência e fluido refrigerante ecológico R-32. O ganho de eficiência reduz o impacto na conta de luz desde o primeiro dia de uso contínuo no verão”, orienta Zimath.
Outro fator importante é escolher a capacidade adequada, medida em BTUs. Equipamentos subdimensionados operam continuamente para atingir a temperatura desejada, o que aumenta o consumo de energia e reduz a vida útil do sistema. Por outro lado, aparelhos superdimensionados tendem a realizar ciclos curtos de funcionamento, comprometendo o conforto térmico e a eficiência energética.
Ar-condicionado Midea AI Ecomaster possui IDRS acima da nova média exigida pelo Inmetro, de 5,5, e está disponível em branco
Letícia Rosa/TechTudo
6. Quanto custa manter cada aparelho ligado?
Durante os períodos de calor intenso, o ar-condicionado costuma ser o principal responsável pelo aumento da conta de luz. O consumo depende da potência do equipamento, do tempo de uso, da temperatura programada e da tarifa de energia cobrada pela distribuidora. Como exemplo, considere um ar-condicionado Split Inverter de 12.000 BTU, com consumo médio de 1 kWh por hora. Se o aparelho permanecer ligado por oito horas diárias, o consumo será de aproximadamente 240 kWh por mês.
Considerando as tarifas residenciais convencionais praticadas pelas distribuidoras, sem incluir possíveis bandeiras tarifárias nem variações de tributos, o custo mensal aproximado seria:
Custo mensal na conta de luz do uso do ar-condicionado
Apesar de representar um dos maiores consumos de energia da residência, o Split Inverter é significativamente mais eficiente do que os modelos convencionais. Na conta de luz, essa eficiência pode resultar em uma economia de R$ 100 a R$ 200 por mês, dependendo do equipamento e das condições de uso.
Durante ondas de calor, manter a temperatura entre 23°C e 24°C, fechar portas e janelas, evitar a incidência direta do sol e realizar a limpeza periódica dos filtros ajudam a reduzir o consumo sem comprometer o conforto térmico. Além disso, escolher um equipamento com capacidade adequada ao tamanho do ambiente evita o funcionamento excessivo e o desperdício de energia.
Regra dos 15 cm: o erro no ar-condicionado que faz a conta de luz disparar
Imagem gerada com IA/ Nano Banana 2
7. O que esperar dos preços nos próximos meses
Caso as previsões meteorológicas se confirmem e as ondas de calor ocorram já a partir de agosto e setembro, o mercado pode registrar aumento antecipado da procura.
Historicamente, períodos de maior demanda costumam resultar em:
redução das promoções;
aumento gradual dos preços;
menor disponibilidade de modelos populares;
prazos maiores para entrega;
aumento do custo da instalação.
Compra antecipada permite mais opções de escolha e disponibilidade de instalação
Daikin/Divulgação
8. Cuidados antes da temporada de calor
Com a possibilidade de um segundo semestre marcado por temperaturas elevadas, os especialistas consultados pelo TechTudo recomendam que consumidores se antecipem à temporada de calor para evitar gastos maiores e dificuldades na contratação de serviços. Além de garantir mais conforto, a compra e a instalação do ar-condicionado antes do período de maior procura podem representar economia financeira e reduzir o risco de enfrentar longos prazos de espera.
Para quem já possui o equipamento, o fim do inverno é considerado o período mais indicado para a realização da manutenção preventiva. Entre os principais procedimentos estão a limpeza ou a substituição dos filtros, a higienização da evaporadora, a verificação do condensador, a inspeção da tubulação, a conferência da carga elétrica do circuito e a avaliação do sistema de drenagem, medida que ajuda a prevenir vazamentos e assegura o funcionamento adequado do aparelho.
Já para quem comprou o primeiro ar-condicionado, Cesar Messano, da Midea, recomenda muita atenção na instalação correta do aparelho. “A instalação do ar-condicionado deve ser realizada por um profissional qualificado, seguindo todas as orientações do fabricante, incluindo o posicionamento das unidades, o dimensionamento da tubulação, a drenagem, o procedimento de vácuo e a avaliação da rede elétrica. Uma instalação inadequada pode reduzir a eficiência, causar falhas e até comprometer a garantia”, alerta.
Manutenção ar-condicionado ajuda a economizar energia e manter a eficiência do aparelho
Divulgação/Freepik (senivpetro)
Com informações do Inpe, Daikin e Midea
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Fonte: Tech Tudo