A Prefeitura de Florianópolis registrou um Boletim de Ocorrência contra membros do Sintrasem após manifestação em que um líder sindical fez fala interpretada pela administração como ameaça aos secretários de Educação. A medida acontece no mesmo dia em que o número de profissionais temporários demitidos por aderirem à greve da categoria subiu para 190.
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O movimento começou em 23 de abril, depois que os servidores rejeitaram a proposta da Prefeitura na data-base. Em sentença do dia 30 de abril, o desembargador João Henrique Blasi declarou a paralisação ilegal, sob o argumento de que o sindicato não apresentou garantias mínimas para manter os serviços essenciais funcionando. Servidores marcharam pelo centro da capital nesta quarta-feira (6) em direção ao prédio da Prefeitura, em protesto contra a primeira leva de exonerações.
A fala que motivou o BO
Durante o ato, um líder sindical citou diretamente o secretário municipal de Educação, Tiago, ao discursar para os manifestantes. A declaração foi gravada e circula nas redes sociais.
A atitude individual que o secretário Tiago colocou quando publicou aquelas portarias é um sinal concreto, concreto, que ele quer realmente um banho de sangue descontrolado. (…) Muita gente aqui hoje não tem salário, não tem trabalho, não tem mais nada a perder.
O líder também disse temer pela segurança do secretário caso ele “pisar nessa cidade com centenas de trabalhadores demitidos”. A Prefeitura interpretou as falas como ameaça e levou o caso à polícia.
A nota oficial da Prefeitura
Em nota oficial, a administração municipal informou que o Boletim de Ocorrência foi registrado para resguardar a integridade física e funcional dos agentes públicos envolvidos. O texto cita ameaças feitas ao Secretário Municipal de Educação e ao Secretário Adjunto de Educação durante a manifestação.
Conforme a nota, o objetivo principal da gestão é encerrar a greve e manter os serviços públicos essenciais funcionando. A Prefeitura afirma ainda que concedeu todos os pedidos da categoria referentes à data-base e que respeita o direito constitucional de greve, mas que “ameaças e violências não serão toleradas”.
Por que os 190 foram desligados
Os 190 profissionais demitidos são Admitidos em Caráter Temporário (ACTs), categoria que não possui estabilidade nem prerrogativa legal de greve. A portaria de contratação prevê o encerramento do contrato em casos de ausência por mais de 48 horas consecutivas ou três faltas alternadas sem justificativa, conforme o código 04 da Instrução Normativa 26740422/2025.
Como a Justiça de Santa Catarina considerou a paralisação ilegal, as faltas registradas durante o período não foram aceitas como justificadas. Com isso, o município entende que os servidores temporários que permaneceram parados descumpriram as regras contratuais e teve respaldo para encerrar os vínculos.
O caso envolvendo as supostas ameaças segue em investigação pela polícia. O Sintrasem não havia se manifestado oficialmente sobre o Boletim de Ocorrência até a publicação desta reportagem.
Fonte: Jornal Razão