
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta semana a distribuição do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026. Serão quase R$ 5 bilhões – mais precisamente R$ 4,96 bilhões – retirados dos cofres públicos para financiar campanhas políticas. O PL ficará com R$ 881,7 milhões. O PT receberá R$ 615,4 milhões. Juntos, os dois maiores protagonistas da polarização nacional abocanham quase R$ 1,5 bilhão.
E talvez esteja aí a maior ironia da política brasileira.
Enquanto milhões de brasileiros se desgastam diariamente em discussões acaloradas nas redes sociais, rompem amizades, brigam em grupos de família e transformam adversários políticos em inimigos pessoais, os partidos seguem recebendo bilhões do mesmo contribuinte que paga impostos, enfrenta filas na saúde, vê escolas precisando de melhorias e cobra mais segurança nas ruas.
Direita contra esquerda.
Esquerda contra direita.
Mas, quando o assunto é dinheiro público para campanhas, o resultado é sempre parecido: bilhões saindo do bolso da população para abastecer as estruturas partidárias.
O valor do Fundo Eleitoral deste ano impressiona não apenas pelo tamanho, mas pelo que representa.
Com R$ 4,96 bilhões seria possível custear por um ano mais de 15 mil equipes de Saúde da Família, garantindo atendimento preventivo para cerca de 60 milhões de brasileiros. Seria possível construir aproximadamente mil Unidades Básicas de Saúde completas. Poderíamos financiar a merenda escolar de milhões de estudantes ou erguer cerca de 1.500 creches e pré-escolas equipadas.
Na segurança pública, o mesmo montante permitiria renovar frotas policiais, adquirir milhares de viaturas e equipamentos de proteção ou ampliar sistemas de monitoramento em diversas cidades do país.
Não se trata de dizer que eleições não custam dinheiro ou que a democracia não tem preço. Evidentemente, o processo eleitoral exige recursos e fiscalização. O debate legítimo é outro: qual é o limite razoável?
Num país onde governos alegam falta de recursos para áreas essenciais, como justificar quase R$ 5 bilhões destinados exclusivamente à disputa pelo poder?
O cidadão comum aperta o orçamento para pagar combustível, supermercado, energia elétrica e impostos. Já os partidos recebem cifras que muitos municípios brasileiros jamais verão em décadas de arrecadação.
E o mais curioso é que a indignação costuma ser seletiva.
Quando o dinheiro vai para o partido que eu não gosto, é escândalo.
Quando beneficia o partido que eu apoio, é justificável.
Assim, seguimos alimentando uma guerra ideológica que interessa muito mais aos partidos do que à população.
No final das contas, o eleitor continua escolhendo lados, enquanto as legendas continuam dividindo bilhões.
Talvez a pergunta mais importante não seja quem recebeu mais.
Talvez seja por que todos recebem tanto.
Veja o valor que cada partido terá de Fundo Eleitoral
Posição Partido (Sigla) Valor Total Recebido (em R$)
1º PL 881.657.477,40
2º PT 615.367.980,20
3º UNIÃO 526.242.858,10
4º PSD 421.008.404,90
5º PP 417.067.738,40
6º MDB 400.000.240,00
7º REPUBLICANOS 348.587.815,80
8º PODE 245.969.763,70
9º PDT 169.285.643,90
10º PSB 152.252.956,10
11º PSDB 147.895.172,40
12º PSOL 131.506.284,40
13º SOLIDARIEDADE 88.526.669,83
14º AVANTE 72.516.777,18
15º PRD 71.819.227,37
16º PC do B 60.531.914,24
17º CIDADANIA 60.174.157,11
18º PV 45.183.873,26
19º NOVO 37.044.203,26
20º REDE 35.803.821,03
21º UP (Unidade Popular) 3.307.679,85
22º DC 3.307.679,85
23º MISSÃO 3.307.679,85
24º PSTU 3.307.679,85
25º DEMOCRATA (antigo PMB) 3.307.679,85
26º MOBILIZA (antigo PMN) 3.307.679,85
27º PRTB 3.307.679,85
28º PCO 3.307.679,85
29º PCB 3.307.679,85
30º AGIR (antigo PTC) 3.307.679,85
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