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OPINIÃO: | A eleição da janta e a política da vida real

A campanha ainda nem começou oficialmente, mas o cardápio já está servido.Tem janta de partido. Tem churrasco de apoio. Tem foto com abraço. Tem gente que muda de lado com a mesma facilidade com que muda de camisa. E tem eleitor que escolhe candidato pelo tempero da carne.Enquanto isso…A SC-480 continua pedindo socorro entre Xanxerê […]




A campanha ainda nem começou oficialmente, mas o cardápio já está servido.
Tem janta de partido. Tem churrasco de apoio. Tem foto com abraço. Tem gente que muda de lado com a mesma facilidade com que muda de camisa. E tem eleitor que escolhe candidato pelo tempero da carne.
Enquanto isso…
A SC-480 continua pedindo socorro entre Xanxerê e Bom Jesus. Já passou da fase da operação tapa-buracos. Rodovia não cresce com remendo. Região que produz precisa de duplicação.
A SC-155 continua esperando melhorias que nunca chegam.
A Rodovia da Produção, a SC-154, segue com um trecho de chão batido ligando uma região que produz riqueza como poucas em Santa Catarina. O nome é pomposo. A realidade nem tanto.
Na Vila União, ainda existem famílias vivendo em casas pequenas demais para sonhos tão grandes.
Nos postos de saúde, ainda falta médico, falta remédio e, muitas vezes, sobra paciência do cidadão esperando por aquilo que deveria ser básico.
Esses deveriam ser os assuntos da eleição.
Mas não são.
É mais fácil discutir esquerda e direita do que falar de drenagem, pavimentação e saneamento. Dá menos trabalho decorar um slogan do que estudar uma proposta. É mais confortável defender político do que cobrar resultado.
Transformamos eleição em campeonato.
E campeonato sempre precisa de torcida.
O curioso é que, quando a disputa acaba, quem continua convivendo com os mesmos buracos é justamente a torcida vencedora.
E a derrotada também.
Outro dia li um dado que deveria causar mais preocupação do que qualquer pesquisa eleitoral.
Segundo o INAF 2024, apenas 10% dos brasileiros conseguem interpretar textos com autonomia, analisar argumentos e aplicar conhecimento em diferentes contextos.
Os outros 90% enfrentam algum grau de dificuldade.
Talvez isso explique muita coisa.
Explica por que manchetes valem mais que reportagens.
Explica por que vídeos de quinze segundos convencem mais que uma prestação de contas.
Explica por que frases de efeito derrotam dados.
E explica, principalmente, por que tanta gente briga por política sem sequer compreender aquilo que está defendendo.
Nunca tivemos tantas opiniões.
E talvez nunca tenhamos pensado tão pouco antes de expressá-las.
Famílias deixam de conversar.
Amigos deixam de se visitar.
Grupos de WhatsApp viram trincheiras.
Tudo isso para defender políticos que, terminada a eleição, muitas vezes dividem o mesmo café, o mesmo jantar e até o mesmo palanque.
Enquanto nós continuamos divididos.
A região da AMAI não precisa de torcidas organizadas.
Precisa de representantes capazes de transformar demandas em obras, discursos em investimentos e promessas em resultados.
A próxima eleição não deveria decidir quem grita mais alto.
Deveria decidir quem consegue fazer com que um jovem chegue mais rápido à faculdade, um agricultor escoe sua produção sem destruir o caminhão, uma mãe encontre o remédio no posto e uma família tenha uma casa digna para chamar de lar.
Porque urna não foi feita para eleger celebridades.
Foi feita para contratar funcionários.
E patrão que aplaude antes de cobrar costuma descobrir, quatro anos depois, que foi ele quem pagou a conta.
Um bom café e até semana que vem



Fonte: Rede Princesa

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