PUBLICIDADE

MPSC revela mapa do feminicídio em SC

O Ministério Público de Santa Catarina lançou uma ferramenta inédita que escancara a realidade da violência contra a mulher no estado: o Mapa do Feminicídio. O levantamento mostra que municípios do Oeste, como Xanxerê, apresentam índices superiores à média estadual, reforçando o alerta para a gravidade do problema na região.O estudo analisou dados entre 2020 […]




O Ministério Público de Santa Catarina lançou uma ferramenta inédita que escancara a realidade da violência contra a mulher no estado: o Mapa do Feminicídio. O levantamento mostra que municípios do Oeste, como Xanxerê, apresentam índices superiores à média estadual, reforçando o alerta para a gravidade do problema na região.
O estudo analisou dados entre 2020 e 2024, com atualização até 2025, e revelou um cenário preocupante: foram registradas 596 mortes violentas de mulheres em Santa Catarina, sendo 396 classificadas como feminicídio. Na prática, a cada três mulheres assassinadas, duas foram mortas por razões de gênero.
Entre as regiões com maiores taxas estão Caçador, Lages e Chapecó, mas o levantamento também chama atenção para cidades menores, onde proporcionalmente o risco pode ser ainda maior.
O mapa vai além dos números e analisa o contexto dos crimes. A maioria dos feminicídios ocorre dentro de casa e em relações íntimas: cerca de 71% dos casos envolvem companheiros ou ex-companheiros. Os dados mostram ainda um padrão preocupante no perfil das vítimas.
Em grande parte, são mulheres:

  • heterossexuais
  • brancas
  • com idade entre 35 e 39 anos
  • mães
  • sem trabalho formal
  • com baixa escolaridade (56% não concluíram o ensino básico)

Esse cenário evidencia um fator crítico: a dependência financeira e emocional do agressor, o que dificulta a ruptura de relações violentas.
Outro ponto destacado é a chamada “interiorização” da violência. Municípios com menos de 15 mil habitantes apresentam taxas mais altas (2,20 por 100 mil mulheres) do que cidades médias (1,76) e grandes centros (1,31), mostrando que o problema não está restrito às grandes cidades.
A ferramenta, desenvolvida com apoio de núcleos especializados em dados e enfrentamento à violência, permite compreender onde, como e em que circunstâncias os crimes acontecem – incluindo fatores como uso de álcool, histórico de agressões, existência de medidas protetivas e presença de testemunhas.
Além do levantamento, o MPSC também lançou a websérie “Ausências”, que traz histórias reais de vítimas, dando rosto aos números e reforçando a urgência de ações efetivas.
O estudo reforça que o feminicídio não é um caso isolado, mas um problema estrutural que exige políticas públicas contínuas, prevenção e atuação integrada para proteger a vida das mulheres.



Fonte: Source link

Leia mais

PUBLICIDADE