O empresário Luciano Hang, fundador da Havan, criticou nas redes sociais e em entrevista à imprensa a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que zerou o imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares. Em publicação feita na terça-feira (12) no Instagram, o empresário catarinense afirmou que o fim da chamada “taxa das blusinhas” representa um ataque à soberania nacional. A medida entra em vigor nesta quarta-feira (13).
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Crítica nas redes
“Por falta de conhecimento, meu povo padeceu”, abriu Hang, citando trecho bíblico do livro de Oséias. “O brasileiro precisa abrir os olhos antes que o Brasil se transforme apenas em um grande consumidor de produtos estrangeiros, deixando de produzir aqui, fechando empresas, destruindo empregos e exportando renda para outros países”, escreveu o fundador da rede, que tem mais de 180 lojas no país.
Em seguida, Hang defendeu o que chamou de isonomia tributária. “O empresário brasileiro não pede privilégio. Pede apenas isonomia. Regras iguais para todos”, afirmou. Para o empresário, se o governo zera impostos para produtos estrangeiros, também deveria zerar para os brasileiros. “O contrário disso é um ataque à nossa soberania, à nossa indústria, ao nosso comércio e aos empregos do nosso povo.”
O fundador da Havan também argumentou que o problema não se resume ao varejo. “O que está em jogo não é apenas o lucro das empresas. É o futuro das famílias brasileiras. Porque quando uma empresa fecha, o emprego desaparece, a renda acaba e a pergunta que fica é: onde essas pessoas vão trabalhar? Como vão viver?”, escreveu. Hang encerrou o post afirmando que “um país forte é aquele que valoriza quem produz dentro da própria nação”.
‘Tsunami’ no varejo
Em entrevista publicada no mesmo dia pela revista Exame, Hang foi além e definiu o fim da taxa em uma palavra: “tsunami”. Para o empresário, manter a tributação só sobre o varejo nacional, em um setor que já chega ao segundo trimestre com rentabilidade pressionada, vai acelerar falências e desemprego.
Não podemos exportar empregos, acabar com indústria e destruir o país.
Hang também classificou a medida como “a destruição do varejo e da indústria nacional” e cobrou do governo uma nova medida provisória que zere também os impostos das empresas brasileiras em vendas de até 50 dólares.
O que muda
A medida assinada por Lula zera a alíquota federal de 20% que era cobrada sobre compras internacionais de até 50 dólares em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Permanece a cobrança de 20% de ICMS, tributo estadual. Para compras acima de 50 dólares, segue mantida a tributação de 60%.
Defensor em 2024
A “taxa das blusinhas” entrou em vigor em 2024, dentro do programa Remessa Conforme, e foi sancionada pelo próprio governo Lula. À época, Hang foi um dos maiores defensores públicos da cobrança. O empresário fez lobby pessoal em Brasília, gravou vídeos pedindo a aprovação da medida no Senado e chegou a ligar para senadores em junho daquele ano para agradecer a votação favorável.
Outras reações
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) também criticou o fim da cobrança. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a taxa ajudou a preservar mais de 135 mil empregos e quase 20 bilhões de reais na economia brasileira. Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (ABComm), que representa empresas como Amazon, Alibaba e Shein, comemorou a revogação.
A medida provisória entra em vigor nesta quarta-feira (13) e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para ser convertida em lei.
Fonte: Jornal Razão