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Hospital de Tijucas é vendido por mais de R$ 20 milhões

O Hospital São José e Maternidade Chiquinha Gallotti, único hospital de Tijucas, tem um novo proprietário. O Jornal Razão apurou com exclusividade que a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC), entidade filantrópica com sede na Avenida Paulista, em São Paulo, vendeu o imóvel ao Instituto de Gestão, Administração e Pesquisa em Saúde (IGAPS) por um […]


O Hospital São José e Maternidade Chiquinha Gallotti, único hospital de Tijucas, tem um novo proprietário. O Jornal Razão apurou com exclusividade que a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC), entidade filantrópica com sede na Avenida Paulista, em São Paulo, vendeu o imóvel ao Instituto de Gestão, Administração e Pesquisa em Saúde (IGAPS) por um valor que passa da cifra de R$ 20 milhões.


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A transação foi formalizada por meio de instrumento particular de compra e venda assinado em 20 de agosto de 2025. O IGAPS já administrava o Hospital São José desde 8 de novembro de 2022, quando assumiu a gestão operacional da unidade por meio de convênio firmado durante a gestão do então prefeito Eloi Rocha. Com a compra, o instituto passa a ser também dono do terreno e das edificações.

Uma história que começa na comunidade

A história do Hospital São José está ligada à própria formação de Tijucas. Em 18 de fevereiro de 1918, três Irmãs da Divina Providência chegaram ao município, vindas de Florianópolis, para atuar na educação e no cuidado com os doentes. Em 19 de março de 1942, o hospital foi inaugurado e entregue aos cuidados da congregação, conforme registros da Arquidiocese de Florianópolis.

Em 1956, foi construída a Maternidade Dona Chiquinha Gallotti, anexa ao hospital, em homenagem a uma integrante da família Gallotti, uma das mais tradicionais da cidade. O patriarca Benjamin Gallotti, imigrante italiano que se estabeleceu em Tijucas no fim do século 19, dá nome ao Casarão Gallotti, construído em 1898, tombado pelo estado e que hoje abriga o Museu Tijucas.

Três gestões em uma década

Por mais de 70 anos, o Hospital São José foi administrado pelas Irmãs da Divina Providência. Em 2015, a gestão passou para a ACSC, que opera a Rede Santa Catarina, uma das maiores redes filantrópicas de saúde do país, com 24 unidades em sete estados e mais de 13 mil colaboradores.

Durante a gestão da Rede Santa Catarina, a Maternidade Chiquinha Gallotti deixou de realizar partos. Uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Tijucas tentou reverter o fechamento. Conforme o então secretário de Saúde, Vilson José Porcíncula, o custo mensal para manter a maternidade em funcionamento girava em torno de R$ 350 mil. A unidade permanece desativada desde então, e as gestantes de Tijucas passaram a ser encaminhadas ao Hospital Regional de Biguaçu.

Em outubro de 2022, a gestão do hospital passou ao IGAPS, instituto fundado em 2003 com sede em Santo André (SP) e especializado em administração hospitalar. O convênio com a Prefeitura de Tijucas fixou o repasse mensal em R$ 550 mil, um salto significativo em relação aos R$ 34 mil repassados em 2012, quando a unidade ainda era gerida pelas Irmãs da Divina Providência.

O que muda com a compra

Com o instrumento de compra e venda assinado em agosto de 2025, o IGAPS deixou de ser apenas gestor e se tornou proprietário do patrimônio. A ACSC passou a notificar formalmente os inquilinos comerciais do complexo sobre a transferência de titularidade, informando que os contratos de locação vigentes serão mantidos sob responsabilidade do novo dono.

A expectativa é de que a aquisição do imóvel facilite as tratativas para a reinstalação da maternidade de Tijucas e para a implantação de leitos de UTI, duas demandas históricas da população do Vale do Rio Tijucas. Com a propriedade consolidada, o IGAPS passa a ter autonomia para realizar investimentos estruturais de longo prazo sem depender de autorização de uma proprietária externa.

Uma cidade sem UTI

Tijucas tem 58.695 habitantes, segundo a estimativa do IBGE de 2025, e é um dos municípios que mais crescem em Santa Catarina. A população praticamente dobrou em 15 anos, saltando de 30.960 moradores em 2010 para os quase 60 mil atuais. Mesmo assim, a cidade segue sem leitos de UTI e sem maternidade, obrigando pacientes a se deslocarem para Biguaçu, São José ou Florianópolis em emergências.

O IGAPS registrou mais de 45 mil atendimentos em 2024 e projeta ampliar a capacidade operacional do Hospital São José nos próximos anos. A compra do imóvel é considerada um passo fundamental para viabilizar essa expansão e atender uma região que, além de Tijucas, inclui municípios como São João Batista e Canelinha.



Fonte: Jornal Razão

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