Na manhã deste sábado (25), um homem em situação de rua, com cerca de 50 anos, chamou a atenção de pedestres e trabalhadores no Centro de Santa Maria ao ser encontrado dormindo dentro de uma casinha de madeira destinada a cães. O fato ocorreu por volta das 7h no canteiro central da Avenida Rio Branco, onde duas estruturas de porte médio foram instaladas há mais de dois anos para abrigar animais da região.
A situação inusitada foi notada por trabalhadores de um ponto de táxi localizado ao lado do canteiro. O motorista Vilmar Arruda relatou a surpresa ao chegar para cumprir seu turno de trabalho diário. Segundo o taxista, a casinha estava ocupada e, ao verificar o interior, a equipe encontrou o morador dormindo profundamente no local improvisado para se proteger durante a madrugada.
Desafios no atendimento social e acolhimento
Apesar do trabalho contínuo realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social junto à população vulnerável, o homem utilizou o espaço como alternativa de abrigo. Em contato com a reportagem da Rádio Imembuí FM, o secretário adjunto de Assistência Social, Marcelo Acosta, explicou que a equipe voltou ao local para prestar novo atendimento e oferecer suporte ao indivíduo.
Publicidade
De acordo com Acosta, a prefeitura já tentou prestar auxílio ao cidadão em ocasiões anteriores, mas ele reluta em aceitar as alternativas de acolhimento institucional oferecidas pelo município. A equipe técnica mantém as abordagens para tentar convencê-lo a se transferir para uma casa de abrigo adequada, onde possa receber atendimento digno.
Resistência ao convívio familiar e contexto urbano
A dificuldade de reinserção não se limita ao apoio do poder público. Um familiar do homem confirmou à reportagem que ele também resiste em retornar ao convívio familiar, reforçando a complexidade do cenário social. A legislação brasileira prevê que o acolhimento assistencial não pode ser feito de forma compulsória, dependendo da concordância voluntária da pessoa envolvida.
O episódio expõe dilemas centrais do trabalho de assistência social nas cidades:
- Respeito à autonomia: A obrigatoriedade do consentimento individual para o encaminhamento a abrigos municipais.
- Vínculos familiares rompidos: A resistência em retornar ao lar ou aceitar o apoio de parentes próximos.
- Solidariedade comunitária: O uso de estruturas urbanas improvisadas para mitigação do desamparo e do frio.
O caso na Avenida Rio Branco reafirma a necessidade de políticas públicas permanentes para o atendimento de pessoas vulneráveis. Enquanto as equipes de assistência social prosseguem com o acompanhamento e novas tentativas de sensibilização, a cena reflete os desafios enfrentados diariamente por quem vive em situação de extrema vulnerabilidade urbana.
FONTE/CRÉDITOS: Reportagem | Renato Oliveira, com apoio de Vilmar Arruda | Rádio imembuí
Fonte: Quentuchas

