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Eleitorado jovem: participação pode ser a menor desde 2014

O eleitorado jovem, compreendendo adolescentes de 16 e 17 anos com voto facultativo, pode registrar neste ano o menor patamar de participação desde 2014. Um levantamento da organização Girl Up, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acende um alerta em partidos de direita para as eleições de 2026 e mobiliza o governo federal. […]


O eleitorado jovem, compreendendo adolescentes de 16 e 17 anos com voto facultativo, pode registrar neste ano o menor patamar de participação desde 2014. Um levantamento da organização Girl Up, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acende um alerta em partidos de direita para as eleições de 2026 e mobiliza o governo federal.

A estimativa para maio é que o total de jovens nessa faixa etária que tiraram o título de eleitor chegue a 1.974.035. Este número representa uma retração significativa quando comparado a pleitos anteriores, especialmente o de 2022.

Queda no alistamento e o histórico recente

A série histórica das eleições presidenciais mostra uma flutuação na participação juvenil. Em 2014, foram registrados 2,32 milhões de alistamentos até maio. O número caiu para 2 milhões em 2018.

No entanto, 2022, um ano de forte polarização política e intensa mobilização nas redes sociais, viu um recorde de 2,5 milhões de títulos emitidos para adolescentes de 16 e 17 anos, o maior patamar entre os anos analisados.

Fatores por trás da retração

Segundo Letícia Bahia, diretora executiva da Girl Up, a redução atual pode ser atribuída a dois fatores principais:

  • A ausência de uma mobilização pública robusta, similar à observada em 2022, quando campanhas de incentivo ao voto ganharam força nas redes sociais com o apoio de artistas e influenciadores. Bahia ressalta que “Foi um movimento muito horizontal, de jovem para jovem. Antes, essa comunicação ficava muito concentrada no TSE, que é uma voz difícil de chegar no jovem.”
  • Dificuldades práticas no processo de alistamento deste ano. Parte do procedimento ainda exige uma etapa presencial, o que pode dificultar o acesso de adolescentes que residem em municípios sem cartório eleitoral.

O peso do eleitorado jovem e a preocupação governamental

Atualmente, os jovens de 16 e 17 anos representam pouco mais de 1% do eleitorado brasileiro, que soma cerca de 158 milhões de pessoas aptas a votar. Apesar da porcentagem aparentemente pequena, seu impacto pode ser decisivo.

Em 2022, a diferença entre o presidente Lula (PT) e Jair Bolsonaro foi de 1,8%, um percentual próximo ao peso do eleitorado dessa faixa etária naquele pleito. No governo, aliados de Lula admitem preocupação com o desempenho entre os mais jovens, apontando a nova etapa do programa Desenrola, voltada ao Fies, como uma tentativa de reaproximação com esse público.

Os dados do TSE também indicam que o alistamento segue majoritariamente feminino, com pouco mais de 1 milhão de eleitoras jovens frente a 957 mil homens até maio deste ano.

Alerta na direita e a polarização de gênero

A queda no alistamento de adolescentes acende um alerta significativo para partidos da direita, que avaliam o impacto nas estratégias eleitorais para 2026. A leitura é que o campo conservador vinha ampliando sua presença entre os eleitores mais jovens, especialmente entre homens adolescentes.

No Partido Liberal (PL), integrantes da legenda afirmam que a disputa digital pelo eleitorado jovem deve ganhar peso relevante na próxima eleição presidencial. Nas últimas semanas, o senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, publicou vídeos incentivando adolescentes de 16 e 17 anos a tirarem o título de eleitor.

Essa avaliação é corroborada por pesquisas recentes, como a da AtlasIntel, que indicou um desgaste do presidente Lula entre eleitores de 16 a 24 anos e um aumento da identificação de jovens com pautas mais conservadoras.

Letícia Bahia também destaca que as diferenças entre jovens homens e mulheres ajudam a explicar os impactos eleitorais desse grupo. “Os meninos estão cada vez mais conservadores e as meninas, mais progressistas. Então faz menos sentido olhar para os jovens como um bloco único”, conclui a especialista.





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