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Doméstica estrangeira foge durante a madrugada e denuncia exploração em condomínio de Florianópolis

O que deveria ser uma oportunidade de trabalho em Santa Catarina acabou se transformando em um pesadelo para uma mulher etíope de 34 anos. Resgatada em Florianópolis, ela relatou ter vivido sob uma rotina exaustiva, marcada por jornadas que ultrapassavam 15 horas diárias, retenção de documentos, ameaças e constantes humilhações dentro de uma residência localizada […]


O que deveria ser uma oportunidade de trabalho em Santa Catarina acabou se transformando em um pesadelo para uma mulher etíope de 34 anos. Resgatada em Florianópolis, ela relatou ter vivido sob uma rotina exaustiva, marcada por jornadas que ultrapassavam 15 horas diárias, retenção de documentos, ameaças e constantes humilhações dentro de uma residência localizada em um condomínio fechado da capital catarinense.


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Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), a trabalhadora foi encontrada em uma situação caracterizada como análoga à escravidão. Contratada ainda em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por intermédio de uma empresa estrangeira, ela foi levada ao Brasil para trabalhar como doméstica, mas afirma que sua realidade foi muito diferente da prometida.

Além de cuidar da limpeza da casa, ela preparava refeições, cuidava das crianças da família e dos animais de estimação. A rotina começava cedo pela manhã e se estendia até tarde da noite, sem folgas regulares e sem descanso adequado.

Pressão psicológica

A mulher contou aos fiscais que vivia sob constante pressão psicológica. Gritos, ofensas, intimidações e ameaças faziam parte do dia a dia. Em alguns episódios, objetos teriam sido lançados em sua direção. O medo era agravado pela retenção de seus documentos pessoais, incluindo o passaporte, o que a deixava dependente dos empregadores e sem condições de buscar ajuda por conta própria.

A fuga aconteceu durante a noite. Sem dinheiro, sem documentos e sem conhecer a cidade, ela deixou a residência levando apenas o celular e a roupa que vestia. Sozinha, passou horas caminhando pelas ruas até encontrar pessoas dispostas a ajudá-la. Para conseguir se comunicar, utilizou aplicativos de tradução no telefone.

Após ser acolhida por serviços públicos de assistência, saúde e segurança, a trabalhadora recebeu apoio especializado. Com auxílio de intérprete, relatou às autoridades os abusos sofridos e manifestou a intenção de encerrar imediatamente o vínculo de trabalho.

Segundo seu depoimento, os empregadores condicionavam a devolução de seus documentos ao pagamento de supostas despesas relacionadas à viagem, alimentação e emissão de vistos. Mesmo depois da fuga, ela afirma que continuou recebendo mensagens intimidatórias e acusações consideradas falsas.

Diante da gravidade das denúncias, auditores-fiscais solicitaram medidas para recuperar os documentos da vítima e apurar possíveis crimes relacionados à exploração de trabalho análogo à escravidão, retenção de documentos e violações de direitos humanos.



Fonte: Jornal Razão

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