Uma criança de 10 anos teria saído com sangramento bucal de uma consulta odontológica na ESF Dr. Alfredo Hoess, na Vila Itoupava, em Blumenau, e o pai do menino foi até a unidade de saúde tirar satisfação com o dentista. A discussão evoluiu para agressões físicas dentro do consultório. O caso foi registrado pela Polícia Militar de Santa Catarina como lesão corporal dolosa e desacato.
Clique e receba notícias do Jornal Razão em seu WhatsApp: Entrar no grupo
Conforme relato da mãe, ela levou o filho de 10 anos para uma consulta odontológica na unidade de saúde. Segundo a mulher, o dentista teria falado de maneira ríspida e em tom alto com a criança durante o atendimento.
A mãe relatou ainda que, durante a escovação, o profissional teria utilizado força excessiva a ponto de provocar sangramento bucal no menino. Ela afirmou que também foi tratada com desrespeito pelo dentista, que teria mandado que ficasse quieta e apenas ouvisse as orientações, alegando ser o profissional responsável pela avaliação odontológica da criança.
ASSISTA AO VÍDEO
Ainda segundo a mãe, ao final da consulta, o dentista teria se contrariado quando ela optou por não agendar nova consulta diretamente com ele e sim pela recepção. Nesse momento, conforme o relato, o profissional teria batido a porta do consultório. A mulher disse que avisou o marido por mensagem e foi para casa.
A briga no consultório
O pai da criança relatou que, após receber as mensagens da esposa sobre o atendimento, ficou nervoso, saiu do trabalho e se dirigiu ao posto de saúde para tirar satisfação com o dentista. Segundo ele, perguntou na recepção onde estava o profissional, foi até o consultório, bateu na porta e entrou.
Conforme o relato do pai, ele começou a questionar o dentista sobre o atendimento ao filho e a forma como a esposa havia sido tratada. Disse que insistiu por explicações e que a situação evoluiu para vias de fato. O homem afirmou que o dentista lhe acertou um soco no rosto primeiro e que, em seguida, ele revidou com socos. Funcionários da unidade de saúde intervieram e separaram os dois.
A versão do dentista
A versão do profissional diverge em pontos centrais. O dentista relatou que, por volta das 16h, horário de fechamento da unidade, o pai da criança entrou na sala de atendimento sem aviso e imediatamente começou a confrontá-lo verbalmente. Segundo o profissional, o homem teria dito “quero ver você agora me maltratar” e o xingado diversas vezes.
O dentista afirmou que tentou acalmar o pai, mas que, ao se levantar, os dois entraram em vias de fato. Ele disse ter recebido socos no rosto que provocaram sangramento no nariz e que outros funcionários separaram a briga.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram manchas de sangue no chão do consultório da unidade de saúde após a confusão.
Histórico de irregularidades em SC
O caso não é o primeiro envolvendo o dentista. Em 2023, a supervisora de serviços odontológicos da Policlínica Municipal de Gaspar comunicou às autoridades que, após uma visita técnica do Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina, foi constatado que o profissional não possuía permissão para exercer a profissão no estado.
Segundo o relato, o Conselho verificou que o dentista havia apresentado documentação falsa ao assumir o cargo em Gaspar. Conforme as informações apuradas, o profissional atuava em Santa Catarina desde 2016, tendo trabalhado anteriormente nas cidades de Tijucas e Palhoça antes de ingressar na rede municipal de saúde de Gaspar em 2019, por meio de processos seletivos.
O registro policial
A guarnição da Polícia Militar de Santa Catarina atendeu a ocorrência na ESF Dr. Alfredo Hoess, na Rua Max Hauff, 211, Vila Itoupava. Conforme a PMSC, foi lavrado Termo Circunstanciado pelos fatos de lesão corporal dolosa e desacato. As partes foram orientadas quanto aos procedimentos legais.
A Prefeitura de Blumenau informou que instaurou sindicância para apurar o caso na unidade de saúde.
Fonte: Jornal Razão