
A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, se tornou o primeiro longa-metragem da história rodado inteiramente com câmeras IMAX de película de 70 mm. O equipamento captura a imagem em um negativo gigante, com resolução muito acima da maioria das telas atuais, e depende de um ecossistema de fabricantes de captura em grande formato, com empresas como IMAX, que produz as câmeras, Kodak, responsável pela película de 65 mm, e Panavision, que desenvolve lentes para esse tipo de produção. O feito é inédito porque, até então, as câmeras IMAX eram pesadas e barulhentas demais para cenas com diálogo, o que limitava seu uso a sequências específicas. Uma nova geração de câmeras mais leves e silenciosas, somada a soluções de engenharia como um invólucro para abafar o ruído, tornou possível filmar uma produção inteira nesse formato.
A seguir vamos explicar por que a escolha entrou para a história antes mesmo da estreia, o que mudou nas novas câmeras e o que o público percebe ao assistir em uma sala IMAX. A Odisseia estreia nos cinemas do Brasil em 16 de julho de 2026, um dia antes da estreia nos Estados Unidos, com distribuição da Universal Pictures e Matt Damon no papel de Odisseu. A direção de fotografia é de Hoyte van Hoytema, colaborador frequente de Nolan. O interesse pelo formato foi tão grande que sessões em IMAX 70 mm esgotaram com um ano de antecedência, movimento raro para um lançamento de grande estúdio.
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Nova geração de câmeras analógicas IMAX de 65 milímetros executa a captação integral de todas as cenas da produção
Divulgação / Instagram
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Índice:
Por que A Odisseia entrou para a história antes mesmo da estreia?
O que há de inédito nas novas câmeras IMAX?
Por que as câmeras antigas limitavam as filmagens?
Como a parceria entre Christopher Nolan e a IMAX tornou essa evolução possível?
O que muda para quem assistir ao filme em uma sala IMAX?
Vale a pena assistir em IMAX?
Sinopse e elenco de A Odisseia
Como A Odisseia se compara aos outros filmes de Nolan?
Conclusão
1. Por que A Odisseia entrou para a história antes mesmo da estreia?
A Odisseia se tornou o primeiro longa-metragem rodado inteiramente com câmeras IMAX de película, um marco técnico que a produção alcançou antes de chegar aos cinemas. A informação aparece na cobertura da Associated Press.
Christopher Nolan já era conhecido por usar IMAX em grandes sequências desde The Dark Knight, de 2008, mas sempre alternava o formato com câmeras convencionais ao longo do filme. Desta vez, o diretor levou a tecnologia para a produção inteira, do início ao fim.
A ambição também aparece nos números. A produção usou mais de dois milhões de pés de película, cerca de 640 quilômetros de filme, e, com o custo aproximado de US$ 1,50 por pé do negativo de 65 mm da Kodak, só a película consumiu perto de US$ 3 milhões, segundo a PetaPixel. O orçamento total do filme é estimado em US$ 250 milhões.
O ineditismo também apareceu na bilheteria antecipada. Ingressos para sessões selecionadas em IMAX 70 mm foram colocados à venda em julho de 2025, um ano antes da estreia, e várias esgotaram nas primeiras horas, movimento considerado incomum para um grande estúdio.
2. O que há de inédito nas novas câmeras IMAX?
A IMAX desenvolveu uma nova geração de câmeras analógicas para atender às exigências de Nolan. As principais mudanças incluem redução de peso, menor nível de ruído durante a gravação, melhorias na estabilidade da imagem e mais facilidade para filmagens em locações complexas, como mostrou o material apresentado na CinemaCon 2026.
Para permitir cenas de diálogo, a equipe criou um invólucro que abafa o som da câmera, apelidado de “blimp”, com peso superior a 130 quilos e que exigia várias pessoas para ser transportado, com carrinhos reforçados para sustentá-lo. Um sistema de espelhos ajudava os atores a manter o contato visual quando o equipamento bloqueava a linha de visão. Os detalhes foram descritos pela CBS News e pela PetaPixel.
O novo corpo de câmera apresenta peso reduzido e isolamento acústico aprimorado para gravação em locações complexas. Além disso, Os componentes mecânicos de alta precisão minimizam a vibração interna e garantem maior estabilidade para o rolo de filme
Reprodução / Instagram
André Augusto Pires, especialista em eletrônica e tecnologia e fundador da Kallimagem, empresa de equipamentos eletrônicos para eventos de grande porte, explica a evolução de engenharia por trás desse tipo de câmera.
“Essas novas câmeras analógicas de grande formato representam uma evolução importante na engenharia óptica e mecânica. Elas utilizam negativos maiores, como 65 mm, capazes de registrar uma quantidade significativamente maior de informação e detalhamento visual do que o tradicional filme de 35 mm. Isso resulta em imagens com resolução extremamente elevada, maior alcance dinâmico, reprodução mais fiel das cores e granulação muito reduzida.” — afirma André Augusto Pires, fundador da Kallimagem
Para Igor Baliberdin, designer estratégico e fundador da LOOOP, o avanço vai além da quantidade de detalhes.
“A evolução mais interessante não está apenas na capacidade de registrar mais detalhes, mas em aproximar a captura da forma como percebemos o mundo. Quando uma ferramenta consegue reduzir a distância entre a visão criativa e o resultado na tela, ela deixa de ser apenas um equipamento e passa a fazer parte da linguagem do filme.” — afirma Igor Baliberdin, fundador da LOOOP.
3. Por que as câmeras antigas limitavam as filmagens?
Os modelos anteriores eram pesados, volumosos e faziam muito barulho durante a captura. Esse conjunto de fatores dificultava gravações com diálogo e restringia o uso das câmeras a sequências específicas de ação ou paisagens, como detalhou a cobertura da CinemaCon 2026.
O ruído era o principal obstáculo. Segundo a CBS News, Matt Damon afirmou que cenas íntimas seriam impossíveis em IMAX até pouco tempo atrás, porque o barulho da câmera atrapalhava a captação da voz dos atores.
Há ainda uma limitação de tempo. Cada magazine de filme comporta entre dois minutos e meio e três minutos de gravação contínua, o que obriga recargas frequentes e pausas na cena antes de a filmagem recomeçar.
Luiz Afif, diretor de televisão e publicidade, lembra como o ruído das câmeras antigas afetava a captação de som no set.
“As câmeras IMAX antigas faziam muito barulho. Quando você gravava em película com IMAX, geralmente tinha que dublar o áudio depois, com o próprio ator se dublando na pós-produção, e isso era muito difícil. Por isso não funcionava tanto. As novas câmeras têm ruído quase zero, então você consegue captar o áudio e gravar tudo de uma vez.” — Luiz Afif, diretor de televisão e publicidade.
4. Como a parceria entre Christopher Nolan e a IMAX tornou essa evolução possível?
Nolan trabalha com câmeras IMAX há mais de uma década e costuma pressionar por avanços no formato. Para A Odisseia, ele pediu à empresa que resolvesse as limitações do equipamento e colaborou no desenvolvimento das câmeras mais leves usadas na produção, como relatou a CinemaCon 2026.
O diretor descreveu o projeto como a realização de um desejo antigo, que segundo a PetaPixel ele nutria desde os 16 anos, quando já queria filmar uma obra inteira em IMAX. O obstáculo, segundo ele, sempre foi o som.
Colaboração direta de mais de uma década entre o cineasta e engenheiros gerou testes práticos de protótipos em sets reais. O diretor impulsionou o aprimoramento da tecnologia fotoquímica.
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Para provar que a captação de voz era viável, van Hoytema chegou a filmar um teste em close com uma criança recitando uma letra de música, o que convenceu Nolan a construir todo o filme em torno do formato, conforme relatou o Gulf News. O diretor classifica o IMAX como “o melhor formato de imagem já inventado”.
Luiz Nascimento, professor universitário de Jornalismo, Produção Multimídia e Cinema, resume o sentido dessa evolução.
“A inovação não está em abandonar o analógico, mas em refiná-lo. Redução de peso, menor vibração mecânica, diminuição do ruído e maior confiabilidade operacional permitem que o 65 mm deixe de ser uma ferramenta de nicho e se torne viável para uma produção inteira. Isso mostra que inovação tecnológica nem sempre significa substituir uma tecnologia antiga, mas expandir seu potencial.” — afirma Luiz Nascimento, professor universitário.
5. O que muda para quem assistir ao filme em uma sala IMAX?
O público poderá perceber imagens com maior resolução, mais detalhes, melhor aproveitamento da tela, enquadramentos mais amplos e maior sensação de imersão. O ganho é mais perceptível em salas equipadas para exibição em película de 70 mm ou com projeção digital compatível.
A escala do formato explica parte da diferença. A película IMAX de 70 mm roda na horizontal, com 15 perfurações por quadro, o que a torna o maior e mais detalhado formato de filme em uso, com resolução muito superior à de uma sala comum, conforme descreveu o Gulf News. Algumas sessões usam ainda a proporção de tela de 1,43:1, que preenche mais o campo de visão.
Vale um esclarecimento técnico. As câmeras registram a imagem em um negativo de 65 mm, enquanto as cópias exibidas nos cinemas usam película de 70 mm, cujos 5 milímetros adicionais abrigam a trilha sonora. Por isso, a produção é chamada tanto de filmada em 65 mm quanto de exibida em 70 mm.
O diretor Christopher Nolan e a equipe técnica utilizam o novo maquinário de grande formato nos bastidores de gravação do longa-metragem “A Odisseia”.
Reprodução / YouTube
André Augusto Pires detalha o que o espectador nota na projeção em grande formato.
“A projeção em 70 mm oferece uma área de imagem muito maior do que o padrão convencional, permitindo uma definição extremamente alta e mais realista, especialmente em telas gigantes. O espectador percebe maior nitidez, profundidade, textura e sensação de tridimensionalidade, mesmo sem utilizar óculos 3D.” — detalha André Augusto Pires, Kallimagem
Luiz Nascimento acrescenta que a mudança altera a relação do público com o quadro.
“Na tela convencional, o espectador tende a assistir ao enquadramento. Em IMAX, ele passa a explorá-lo. O olhar deixa de ficar concentrado apenas no centro e começa a percorrer a imagem inteira. Isso exige uma nova responsabilidade dos diretores de fotografia e dos diretores de arte, porque cada canto do quadro passa a carregar informação narrativa.” — acrescenta Luiz Nascimento, professor universitário.
Luiz Carlos Afif, diretor de televisão e publicidade, contribui com o olhar de um diretor de fotografia sobre a composição da imagem e o enquadramento em grande formato.
“Para quem faz direção, o IMAX trouxe uma dificuldade para a fotografia, porque, conforme a imagem se expande, você tem um ângulo maior de cena. Fazer quadros mais fechados, captar planos e contraplanos, ficou muito mais difícil, porque a imagem abrange demais. O diretor de A Odisseia usou reflexo de espelho para conseguir planos mais fechados e deixar os atores mais próximos, para dar uma sensação melhor de close. Sem isso, eles ficariam distantes demais e a dimensão ficaria grande demais.” — contribui Luiz Carlos Afif, diretor de televisão e publicidade
6. Vale a pena assistir em IMAX?
A resposta depende do tipo de sala disponível. As diferenças em relação a uma sala convencional aparecem na proporção da imagem, no tamanho da tela, na qualidade sonora e na fidelidade visual, mas a experiência varia conforme o cinema. Salas com projeção real em 70 mm de película entregam o resultado mais próximo do que Nolan capturou, enquanto salas com projeção digital compatível buscam preservar a mesma sensação de grandiosidade.
O número de salas com projeção em película é limitado, o que explica a alta procura e o esgotamento antecipado de ingressos. As cópias em 70 mm são finalizadas de forma quase artesanal na FotoKem, laboratório na Califórnia apontado como o último do mundo a produzir esse tipo de cópia, segundo a CBS News, o que reforça a escassez desse tipo de sessão. No Brasil, vale checar qual tecnologia cada complexo IMAX oferece antes de comprar.
Vinicius Gallafrio, CEO da MadeinWeb, oferece um olhar sobre o valor da experiência.
“Filmar integralmente em IMAX de 65 mm é quase um exagero de engenharia. É um formato que captura uma quantidade gigantesca de informação visual, muito acima da capacidade de reprodução da maioria das telas existentes hoje. Isso cria uma espécie de reserva de qualidade: a imagem possui mais profundidade, maior latitude dinâmica e uma sensação de tridimensionalidade que o espectador sente, mesmo sem explicar tecnicamente.” — Vinicius Gallafrio, MadeinWeb
Ele compara o movimento ao retorno do vinil na música, em que a qualidade da experiência vira o diferencial diante da conveniência do consumo digital. Para o público, isso significa encarar a sessão em IMAX como uma experiência de imersão, mais do que como uma simples exibição.
7. Sinopse e elenco de A Odisseia
Salas equipadas com projetores de alta performance exibem até quarenta por cento a mais de conteúdo vertical na projeção. A qualidade sonora tridimensional e a fidelidade de contraste justificam o investimento no ingresso em salas certificadas.
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A Odisseia adapta o poema épico de Homero e acompanha Odisseu, rei de Ítaca, em sua longa e perigosa jornada de volta para casa após a Guerra de Troia. No caminho, ele enfrenta deuses e criaturas míticas, como o ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira Circe.
O elenco é encabeçado por Matt Damon, como Odisseu, ao lado de Anne Hathaway, como Penélope, e Tom Holland, no papel de Telêmaco, filho do protagonista. O grupo inclui ainda Zendaya, como a deusa Atena, Lupita Nyong’o, em papel duplo como Helena e Clitemnestra, além de Robert Pattinson, Charlize Theron, Jon Bernthal, Elliot Page, Himesh Patel e Benny Safdie.
A produção é da Universal Pictures com a Syncopy, produtora de Nolan e Emma Thomas, e tem cerca de 172 minutos de duração. A estreia no Brasil está marcada para 16 de julho de 2026.
8. Como A Odisseia se compara aos outros filmes de Nolan?
Nolan usou o formato IMAX em produções anteriores como O Cavaleiro das Trevas, Interestelar, Dunkirk, Tenet e Oppenheimer. Nesses filmes, o diretor rodava longas sequências em IMAX, mas alternava o formato com câmeras tradicionais de 65 mm ou 35 mm ao longo da narrativa.
A diferença de A Odisseia está no planejamento para aproveitar o IMAX durante toda a produção, e não apenas em trechos. Segundo a CinemaCon 2026, o próprio Nolan afirmou que tentava alcançar esse objetivo desde The Dark Knight, quando conseguia filmar só as cenas de ação no formato.
O projeto alcança a uniformidade estética ao utilizar o mesmo padrão óptico para sequências de ação e diálogos intimistas
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Essa mudança de escala coloca A Odisseia como o ponto em que o diretor levou ao limite uma abordagem que vinha construindo há mais de 15 anos, com o apoio da evolução técnica desenvolvida junto à IMAX. O TechTudo reuniu os principais trabalhos do cineasta na lista Christopher Nolan: 9 filmes do diretor que você não pode deixar de ver.
9. Conclusão
Para o espectador, A Odisseia é a chance de ver um filme concebido do início ao fim para o maior formato de imagem em uso no cinema. O ganho de nitidez, escala e imersão é real, ainda que o teto da experiência dependa da sala.
Em salas com projeção em 70 mm de película, o resultado chega mais perto da intenção original da produção. Nas demais salas IMAX, com projeção digital, a imagem ainda supera a de um cinema comum. Em qualquer um dos casos, o filme se apresenta menos como uma sessão e mais como um evento, na linha do que os entrevistados descreveram como uma experiência premium.
Com informações de Associated Press, CBS News, The Credits / Motion Picture Association, PetaPixel, e Gulf News.
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Fonte: Tech Tudo