O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico. No entanto, o senador estabeleceu uma série de condições para que a medida seja aplicada também ao adversário e a pessoas próximas a ele.
Durante uma agenda de campanha em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, Flávio cobrou a divulgação de informações relacionadas ao ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ao Instituto Lula e aos gastos com cartões corporativos da Presidência, incluindo aqueles relacionados à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
“Para eu abrir meu sigilo, você vai abrir o sigilo do Instituto Lula. E tem mais uma condição: você vai abrir o sigilo do seu cartão corporativo e da Janja”, declarou o candidato.
Publicidade
Flávio também defendeu a divulgação dos registros telefônicos de Marcola, alegando que o ex-assessor teria recebido ligações destinadas ao presidente. As declarações foram feitas durante um encontro com apoiadores, no qual o senador apresentou as condições que considera necessárias para aceitar a proposta.
Proposta apresentada por Lula
A iniciativa foi anunciada por Lula durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela TV Bandeirantes no domingo (18). Na ocasião, o presidente desafiou Flávio a autorizar a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, comprometendo-se a fazer o mesmo.
Na terça-feira (20), Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) um documento autorizando a liberação de seus sigilos e de informações referentes a familiares, desde que o adversário também concorde com a divulgação de seus próprios dados.
Entre as pessoas mencionadas na iniciativa estão a primeira-dama Janja e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Conforme as informações divulgadas sobre o documento, a proposta abrange dados referentes aos últimos oito anos e prevê a divulgação pública das informações autorizadas.
O desafio passou a integrar o debate eleitoral na reta final da campanha. Lula voltou a cobrar que o adversário autorize a abertura dos sigilos e indicou que pretende retomar o assunto no debate presidencial previsto para sexta-feira (23), promovido pela TV Globo.
Condições apresentadas por Flávio
Em documento encaminhado ao TSE nesta quarta-feira, Flávio autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. A autorização também contempla familiares mencionados por Lula e quatro empresas das quais o senador é sócio ou administrador.
O candidato afirmou ainda não se opor à divulgação das mensagens que trocou com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Em contrapartida, Flávio solicitou a abertura de informações bancárias, fiscais, telefônicas e telemáticas de familiares do presidente, empresas relacionadas a eles, do Instituto Lula e de outras pessoas próximas ao petista. O período indicado para parte desses dados começa em 2003.
Entre os nomes citados pelo senador estão Marcola, Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Lulinha, Edson Claro, Frei Chico, irmão de Lula, e representantes do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade da qual Frei Chico é vice-presidente.
O pedido também inclui informações sobre reuniões entre Lula e Daniel Vorcaro, registros de entrada do banqueiro no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, além de registros de visitantes durante o período de sua prisão. Flávio ainda solicitou dados sobre voos de uma aeronave ligada a Vorcaro e a abertura dos sigilos de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.
Debate sobre transparência
A troca de propostas ampliou a discussão sobre a divulgação de informações financeiras e telefônicas dos candidatos e de pessoas de seu entorno durante a campanha eleitoral.
Enquanto Lula condiciona a liberação de seus dados e dos familiares incluídos em sua proposta à iniciativa equivalente de Flávio, o senador defende que a medida alcance também assessores, empresas e outras pessoas que, segundo ele, poderiam deter informações relevantes.
A apresentação das autorizações, por si só, não significa que todos os dados solicitados serão automaticamente divulgados. A efetivação dos pedidos depende dos procedimentos aplicáveis e das decisões das autoridades competentes.
O tema deve continuar em pauta nos próximos dias, com a aproximação do debate presidencial de sexta-feira (23) e do segundo turno das eleições.
Fonte: CNN Brasil; Agência Estado.
FONTE/CRÉDITOS: CNN BRASIL
Fonte: Quentuchas

