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PT mira eleitores da classe C para ampliar votação de Lula no RS

O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu a conquista de eleitores da classe C como uma das principais estratégias para ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Sul durante o segundo turno das eleições presidenciais. A avaliação das lideranças petistas é de que esse segmento do eleitorado será decisivo […]


O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu a conquista de eleitores da classe C como uma das principais estratégias para ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Sul durante o segundo turno das eleições presidenciais. A avaliação das lideranças petistas é de que esse segmento do eleitorado será decisivo para tentar diminuir a diferença de aproximadamente 500 mil votos entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no Estado.

A estratégia prevê uma mobilização que vai além da divisão geográfica do eleitorado. O objetivo é alcançar trabalhadores, microempreendedores e profissionais de diferentes áreas, tanto em Porto Alegre e na Região Metropolitana quanto no interior gaúcho.

A definição ocorreu após uma semana de reuniões entre dirigentes partidários e aliados para avaliar o resultado do primeiro turno. Ao mesmo tempo, estudantes e apoiadores do presidente realizaram manifestações espontâneas em defesa da candidatura de Lula. Levantamentos de diferentes institutos de pesquisa também apontaram que a classe C foi o segmento em que o presidente mais perdeu votos.

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Classe C é considerada estratégica para a campanha

O grupo que o PT pretende alcançar reúne microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores de plataformas digitais, profissionais de nível técnico e pessoas que buscam melhorar sua renda por meio de iniciativas próprias.

Na avaliação de lideranças petistas, parte desses eleitores se afastou do perfil tradicional de trabalhadores com carteira assinada e passou a valorizar mais o empreendedorismo e a possibilidade de ascensão financeira. Nos últimos pleitos, esse segmento também demonstrou maior aproximação com candidaturas de direita.

Em Porto Alegre, esse comportamento foi considerado um dos fatores relevantes para a reeleição do prefeito Sebastião Melo (MDB), em 2024.

Para tentar reverter essa tendência, a campanha de Lula pretende combinar propostas econômicas e trabalhistas com medidas voltadas à segurança pública e à redução do custo de vida.

Entre as pautas que devem ser utilizadas para dialogar com esses eleitores estão o fim da escala de trabalho 6×1, o endurecimento de medidas de segurança, a defesa da tarifa zero no transporte público, a ampliação dos limites de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e do Simples Nacional, além da isenção de impostos sobre produtos da cesta básica.

Após o desempenho do primeiro turno, as lideranças do PT no Estado concluíram que será necessário construir uma mobilização própria para ampliar a votação do presidente. Na avaliação do partido, o sucesso dessa iniciativa dependerá principalmente da capacidade de reconquistar parte dos eleitores da classe C.

Porto Alegre tem meta de conquistar novos votos

Na Capital gaúcha, o planejamento eleitoral inclui a tentativa de converter votos de eleitores que escolheram Lula para presidente e o candidato Luciano Zucco para o governo do Estado.

O PT e o PSol elaboraram um plano de mobilização que considera esse perfil de votação, a redução do desempenho de Lula em comparação com o primeiro turno de 2022 e o elevado índice de abstenção registrado na cidade.

A meta estabelecida pelas lideranças é buscar uma parcela de pelo menos 100 mil votos adicionais ou convertidos em favor do presidente.

Na comparação com o primeiro turno de 2022, Lula recebeu cerca de 35 mil votos a menos em Porto Alegre, apesar de ter vencido a votação na Capital. Outro fator considerado pela campanha é a abstenção de 23,99%, equivalente a 255.333 eleitores.

A estratégia é tentar alcançar tanto os eleitores que votaram em outras candidaturas quanto aqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Manuela D’Ávila e Fernanda Melchionna lideram mobilização

Para coordenar parte das atividades em Porto Alegre, foram escaladas Manuela D’Ávila, candidata derrotada ao Senado, e a deputada federal Fernanda Melchionna, ambas do PSol.

Reeleita para a Câmara dos Deputados com aproximadamente 280 mil votos, Melchionna obteve quase 40% de sua votação na Capital, resultado que reforça sua importância na articulação eleitoral no município.

Durante uma reunião fechada realizada na quinta-feira, na sede do PT, Manuela defendeu a continuidade de um grupo de trabalho específico para organizar as agendas de campanha e aproveitar o impulso das manifestações estudantis.

A ex-candidata também destacou a necessidade de manter a presença nas ruas, com distribuição de adesivos, mutirões envolvendo parlamentares eleitas em Porto Alegre e utilização diária de carros de som nas comunidades.

A proposta é intensificar o contato direto com a população, especialmente nos bairros periféricos, onde a campanha espera encontrar eleitores que possam ser convencidos a votar em Lula no segundo turno.

Paulo Pimenta defende campanha nas ruas

O deputado federal Paulo Pimenta, que também disputou uma vaga no Senado e não foi eleito, alertou para a necessidade de modificar a forma tradicional de organização partidária durante a campanha.

Segundo ele, o momento exige menos encontros formais e mais presença direta junto aos eleitores.

A orientação é que os militantes priorizem ações de rua, conversas com moradores e atividades capazes de ampliar a visibilidade da candidatura de Lula. O objetivo é criar um ambiente de mobilização mais intenso na reta final da disputa.

A Região Metropolitana de Porto Alegre aparece como um dos principais desafios. Embora tenha sido historicamente marcada pela presença de governos e lideranças de esquerda, a região passou a registrar maior espaço para alternativas de centro e direita nos últimos anos.

Entre as tarefas distribuídas aos apoiadores está a de conversar com pelo menos cinco pessoas próximas, como amigos, familiares e vizinhos, para discutir a eleição e tentar conquistar novos votos para o presidente.

Os deputados também receberam a orientação de permanecer o máximo de tempo possível em suas bases eleitorais e organizar agendas nas periferias dos municípios.

Campanha prevê viagens pelo interior

A mobilização não ficará restrita à Capital e à Região Metropolitana. O planejamento do PT inclui atividades em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, com o objetivo de ampliar o alcance da campanha e recuperar parte do eleitorado perdido no primeiro turno.

Edegar Pretto, responsável pela coordenação da campanha de Lula no Estado, deverá percorrer sete cidades do Litoral e do Planalto Médio durante o fim de semana.

A orientação para os parlamentares e demais lideranças é manter uma agenda intensa de visitas, reuniões e conversas com eleitores, em um ritmo que os articuladores classificam como uma maratona eleitoral.

A intenção é aproveitar o período até o segundo turno para fortalecer a presença do partido nas comunidades e apresentar propostas diretamente à população.

PT considera ampliação da votação uma prioridade

Nos bastidores, articuladores petistas reconhecem que a tarefa é difícil e que o prazo para mudar o cenário eleitoral é curto. Mesmo assim, a ampliação da votação de Lula no Rio Grande do Sul passou a ser tratada como uma prioridade política.

O Estado esteve entre aqueles em que o presidente mais perdeu eleitores na comparação com a eleição anterior, segundo a avaliação apresentada pelas lideranças partidárias.

A diferença de aproximadamente 500 mil votos entre Lula e Flávio Bolsonaro no território gaúcho ganhou peso nas análises internas da campanha. O resultado também é considerado relevante diante da distância nacional de cerca de 2,2 milhões de votos que separou os dois candidatos no primeiro turno.

Diante desse cenário, o PT pretende concentrar esforços na classe C, ampliar a mobilização de militantes e intensificar a presença nas ruas para tentar reduzir a desvantagem no Estado.

Para as lideranças gaúchas, o segundo turno representa não apenas uma disputa pela Presidência da República, mas também um teste da capacidade do partido de recuperar espaço entre eleitores que, nos últimos anos, passaram a demonstrar maior identificação com candidaturas de centro e direita.