Peças de roupas femininas foram achadas dobradas na restinga do Canto das Gaivotas, nos Ingleses, e recolhidas para a Polícia Científica. A mulher foi encontrada nua, sem documentos e com lesão na cabeça no canto sul da Praia Brava.
Por Equipe Jornal Razão··3 min de leitura·Atualizado em
Roupas femininas, incluindo peças íntimas, foram encontradas na beira da praia do Canto das Gaivotas, nos Ingleses do Rio Vermelho, norte de Florianópolis, nesta sexta-feira (11). O material foi recolhido e ficou à disposição da Polícia Científica, que investiga a morte de uma mulher encontrada nua, horas antes, na Praia Brava.
Quem localizou as peças foi um homem que passeava com o cachorro na faixa de areia, na altura da Rua das Gaivotas, em frente a um condomínio. Ele fotografou o que viu, acionou a polícia e permaneceu no local até a chegada da equipe.
O detalhe que chamou atenção não foi a presença das roupas, mas o estado delas. Segundo quem encontrou, as peças não estavam espalhadas nem embaraçadas pela maré. Estavam dobradas, na vegetação de restinga que fecha o final da praia, como se tivessem sido deixadas ali de propósito.

Dois pontos separados por um costão
O Canto das Gaivotas fica no extremo norte da praia dos Ingleses. Do outro lado do costão que fecha esse trecho está o canto sul da Praia Brava, exatamente onde o corpo da mulher apareceu na manhã da mesma sexta-feira. São praias vizinhas, ligadas pelo mesmo trecho de mar.
A mulher foi vista por pessoas que passavam pela praia, de bruços na beira do mar, conforme o Jornal Razão mostrou nesta sexta-feira. Aparentava ter entre 25 e 30 anos e estava completamente sem roupas. Não havia documento, bolsa, celular ou qualquer objeto junto ao corpo. Até agora ninguém a reconheceu e ela segue sem identificação.
A Polícia Militar constatou uma contusão na parte frontal da cabeça, na região da testa, e uma escoriação no lado esquerdo do corpo, entre o quadril e a coxa. Nenhuma outra lesão aparente foi observada. Pelas condições em que o corpo estava, não havia indicação de que a morte tivesse ocorrido muito tempo antes.

Naquele momento, as equipes já haviam vasculhado a areia e as pedras do costão da Praia Brava atrás das roupas da vítima. Nada foi localizado. A ausência total de pertences é justamente o que trava a identificação e o que faz o achado dos Ingleses ganhar peso.
O que muda se as peças forem dela
Se a perícia confirmar que as roupas pertenciam à mulher, o mapa do caso muda. Passa a existir um ponto conhecido onde ela esteve antes de morrer, a algumas centenas de metros do lugar onde o corpo foi parar, e um intervalo a ser reconstruído entre um ponto e outro.
Roupa dobrada, sozinha, não fecha nenhuma versão. É compatível com quem entra no mar por vontade própria e também com cena montada depois. As três hipóteses continuam abertas: morte acidental, suicídio ou homicídio. Nenhuma foi descartada, nenhuma foi confirmada.
As peças recolhidas passam agora por exame e comparação. A Polícia Científica é responsável pelos procedimentos periciais, pela identificação da vítima e pela definição da causa da morte. A Polícia Civil apura as circunstâncias.
Enquanto o laudo não sai, a morte segue sem causa determinada, a mulher segue sem nome e a ligação entre as roupas achadas nos Ingleses e o corpo da Praia Brava segue como linha de investigação, não como fato estabelecido.
Fonte: Jornal Razão