Vídeo gravado por um motorista mostra a passageira sentada sobre o botijão amarrado na garupa, na BR-101, em Itajaí, debaixo de chuva forte.
Por Equipe Jornal Razão··4 min de leitura·Atualizado em
Uma passageira foi flagrada sentada em cima de um botijão de gás na garupa de uma moto que trafegava pela BR-101, em Itajaí, no Litoral catarinense. A cena foi registrada por um motorista que seguia pela mesma rodovia, debaixo de chuva forte, e o vídeo passou a circular em perfis de notícias nas redes sociais.
Nas imagens, o motociclista aparece à frente, de capacete escuro e jaqueta preta, conduzindo o veículo normalmente. Atrás dele, a passageira está empoleirada sobre o recipiente cinza apoiado na garupa, com o corpo bem acima da linha do banco, as pernas dobradas e sem qualquer apoio nas costas.
A chuva é intensa durante todo o trecho gravado. A pista aparece encharcada, os limpadores do para-brisa do carro que registra a cena trabalham sem parar e a visibilidade é curta, com a paisagem ao fundo encoberta pela névoa de água levantada pelos pneus.
Ao redor da moto, o tráfego é pesado. Caminhões, carretas e carros de passeio aparecem nas faixas próximas. Em determinado momento, a motocicleta segue pela faixa da direita, colada ao guard-rail que separa as pistas, e é ultrapassada por outros veículos.
O botijão residencial mais comum, o P-13, carrega 13 quilos de gás. Cheio, o conjunto de recipiente e conteúdo passa dos 25 quilos. Amarrado na garupa e ainda servindo de assento para uma pessoa adulta, ele empurra o centro de gravidade da moto para cima e para trás, justamente o contrário do que a estabilidade do veículo exige em curva, em frenagem e em desvio de emergência.
A posição também deixa a passageira sem condições de se segurar com firmeza. Sentada acima do banco, ela fica com o corpo exposto acima da linha do veículo e sem ponto de apoio fixo. Em uma freada mais forte ou num desvio, o risco é de queda direta na pista, no meio do tráfego da rodovia.
A chuva agrava todos esses pontos. Com o asfalto molhado, a distância de frenagem aumenta, a aderência do pneu cai e o risco de aquaplanagem sobe. Uma moto sobrecarregada e com peso mal distribuído perde ainda mais margem de reação.
O que diz a lei
O Código de Trânsito Brasileiro classifica como infração gravíssima conduzir motocicleta transportando carga incompatível com as especificações do veículo. A penalidade prevê multa e suspensão do direito de dirigir, além da retenção do veículo até a regularização.
A legislação também trata como infração gravíssima transportar passageiro fora do assento próprio, em posição que não permita se segurar com segurança durante o deslocamento.
Há ainda um terceiro ponto, menos comentado. O GLP é classificado como produto perigoso, e as normas que regulam o transporte rodoviário desse tipo de carga não admitem o uso de motocicletas. A entrega de botijões exige veículo apropriado, com identificação e condições específicas de fixação. Um recipiente pressurizado amarrado na garupa não atende a nenhum desses requisitos.
O trecho da BR-101 que corta Itajaí é um dos mais movimentados de Santa Catarina. A rodovia concentra o fluxo de caminhões que abastecem o complexo portuário da cidade e liga o município a Navegantes, Balneário Camboriú e ao restante do Litoral. É rota diária de carga pesada, em velocidade de rodovia federal.
A fiscalização do trecho cabe à Polícia Rodoviária Federal. Não há informação divulgada de que a moto tenha sido abordada por agentes, nem de que o caso tenha gerado autuação. Também não há registro de acidente relacionado à cena.
O vídeo segue circulando nas redes sociais e reacendeu a discussão sobre o transporte improvisado de carga em motocicletas em Santa Catarina, prática comum em deslocamentos curtos dentro dos bairros, mas que na rodovia federal encontra outro patamar de velocidade, de tráfego e de consequência.
Fonte: Jornal Razão