
Xanxerê já respira os ares do Ecoparque. E não é apenas por causa das árvores, das caminhadas e do espaço que vem ganhando vida.
Na próxima segunda-feira, a Rua Joinville será palco do desfile de Sete de Setembro. A expectativa é de mais de 10 mil pessoas circulando pelo novo trajeto.
A mudança, claro, já despertou algumas reclamações. Normal.
Toda novidade costuma provocar um pouco de resistência. Sempre aparece alguém para explicar por que o lugar antigo era melhor – mesmo antes de experimentar o novo.
Mas talvez seja hora de dar um voto de confiança.
Depois do desfile, a gente avalia. E é preciso reconhecer o trabalho da Secretaria de Educação, que vem se dedicando para que tudo aconteça da melhor maneira.
Agora é deixar a história acontecer.
Quase 50 anos depois…
Cambuinzal teve uma daquelas semanas que merecem comemoração.
Depois de quase 50 anos de espera, a comunidade celebrou a conclusão da pavimentação da estrada que liga o distrito ao município.
Finalmente o asfalto chegou.
E, junto com ele, aparentemente chegaram também alguns donos da obra.
Porque não faltou quem tentasse transformar uma conquista coletiva em currículo particular.
Convenhamos: depois de cinco décadas, seria injusto resumir essa história ao nome de quem estava com o microfone falando sobre a obra.
Se fosse assim, daqui a pouco alguém vai reivindicar até a autoria da primeira conversa sobre o asfalto.
A verdade é bem mais simples – e muito mais bonita.
Essa obra é resultado de uma comunidade que esperou, cobrou, insistiu e não desistiu e de toda uma equipe de governo que cumpriu a missão.
Não é patrimônio político de família, sobrenome ou secretário.
É patrimônio de Cambuinzal.
E depois de 50 anos, o mínimo que o asfalto merece é chegar sem precisar escolher padrinho.
E lá em Brasília…
Enquanto em Xanxerê a gente comemora estrada chegando, em Brasília seguimos acompanhando os capítulos – cada vez mais curiosos – envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
E talvez a maior ironia seja justamente esta: em um país onde todos deveriam ser iguais perante a lei, algumas instituições parecem ter desenvolvido uma habilidade especial para discutir a própria atuação sem precisar prestar contas ao cidadão comum.
Quando o problema chega ao topo, o topo parece ter bons mecanismos para olhar para baixo.
E nós olhamos para cima.
Pagamos impostos, pagamos salários, pagamos estruturas milionárias e, vez ou outra, ainda somos convidados a assistir às explicações sobre por que tudo isso é perfeitamente normal.
É uma conta curiosa.
O cidadão comum precisa justificar um boleto atrasado.
As altas autoridades podem protagonizar controvérsias enormes e, ainda assim, o sistema parece encontrar uma maneira elegante de continuar funcionando para dentro.
E quando perguntam quem paga a conta?
A resposta é democrática.
Todos nós.
Só não sei se a democracia funciona do mesmo jeito quando chega a hora de dividir os privilégios.
No fim, fica aquela velha sensação brasileira: o problema nunca é exatamente quem está no poder. O problema é quando o poder começa a achar que não precisa mais explicar nada para quem o sustenta.
E nós, pobres mortais, seguimos aqui.
Pagando impostos, pagando a conta e tentando entender os capítulos da novela.
Pelo menos o café da Campina ainda é por nossa conta.
Fonte: Rede Princesa