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Adaptação climática pode preparar cidades para conter os impactos dos eventos extremos

Diante da constante recorrência de chuvas intensas e secas no Sul do Brasil, a adaptação climática consolida-se como um caminho indispensável para minimizar os danos de desastres naturais. De acordo com o pesquisador João Paulo Bezerra, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim, a gestão territorial precisa mudar de perspectiva urgentemente, deixando […]


Diante da constante recorrência de chuvas intensas e secas no Sul do Brasil, a adaptação climática consolida-se como um caminho indispensável para minimizar os danos de desastres naturais. De acordo com o pesquisador João Paulo Bezerra, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim, a gestão territorial precisa mudar de perspectiva urgentemente, deixando de atuar apenas na emergência para incorporar o diagnóstico prévio de riscos no planejamento público local.

Diagnóstico prévio e mapeamento de vulnerabilidades

Para preparar os territórios, Bezerra defende que a construção de estratégias deve começar com a análise de dados históricos da Defesa Civil e dos municípios. Esse histórico permite identificar a frequência e os prejuízos de eventos recorrentes, como tempestades e estiagens. Além das características físicas do relevo e solo, é fundamental entender a dinâmica social das cidades. Plataformas como o Adapta Brasil já reúnem indicadores relevantes sobre riscos municipais.

Contudo, o pesquisador ressalta que os municípios precisam aprofundar essas informações utilizando geotecnologias em escala detalhada. O objetivo é mapear logradouros, bairros e residências específicas, identificando grupos populacionais mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com deficiência. Saber quem habita cada área exposta é essencial para definir o tipo de assistência necessária durante uma situação de emergência.

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Estratégia integrada de ação

A metodologia para transformar a gestão territorial diante das mudanças do clima apoia-se em quatro ações estruturantes:

  • Diagnosticar: identificar riscos históricos, características físicas e populações expostas;
  • Planejar: incorporar o risco climático ao orçamento e às decisões urbanas de longo prazo;
  • Engajar: mobilizar a sociedade civil, setores produtivos e lideranças comunitárias;
  • Agir: executar obras de infraestrutura e implementar políticas contínuas de prevenção.

Apesar de alguns fenômenos pontuais, como tornados, apresentarem baixa previsibilidade, eventos como secas, enchentes e inundações permitem ações antecipadas. A perda de uma casa ou de uma vida representa uma tragédia irreparável, mas o impacto varia enormemente segundo a capacidade econômica de recuperação de cada família. Por isso, soluções padronizadas não funcionam; cada localidade necessita de estratégias alinhadas às suas especificidades econômicas e ambientais.

Planos municipais e justiça climática

No âmbito nacional, a Lei nº 14.904, sancionada em junho de 2024, estabelece diretrizes para que governos elaborem planos de adaptação. Na Região Sul, municípios como Passo Fundo e Chapecó já avançam nessa agenda. Entretanto, Bezerra alerta que o plano não pode ser arquivado nem tratado como medida partidária, devendo ser assumido como uma política pública permanente e efetiva de Estado.

Como a adaptação ocorre diretamente na escala local, o engajamento da comunidade é crucial. Conselhos municipais, comitês de bacias hidrográficas e setores econômicos devem participar da formulação das diretrizes. Essa pluralidade assegura a aplicação da justiça climática, garantindo que as populações historicamente mais vulneráveis recebam o suporte necessário diante da crescente intensidade dos eventos climáticos extremos.