As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à Aids atingiram os menores níveis globais em 2025, segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) divulgados nesta segunda-feira (27), no Rio de Janeiro. Apresentado na abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, o relatório aponta que o fim da epidemia é uma meta alcançável, mas alerta que fortes cortes no financiamento colocam em risco esse avanço.
Avanços globais e o cenário no Brasil
Em todo o mundo, foram registradas 1,2 milhão de infecções pelo vírus no último ano, o que representa uma queda de aproximadamente 40% em relação a 2010. Além disso, o total de mortes provocadas por complicações da Aids caiu para 570 mil. Apesar da tendência global de queda, 21 países e três regiões registraram alta nos diagnósticos.
O Brasil está entre as nações que registraram aumento nos novos casos. Como resposta imediata, o país ampliou em 41% o acesso aos medicamentos de prevenção. Os dados ganham destaque especial por serem apresentados durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, sediada no Brasil pela primeira vez.
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Tecnologia e desafios para a prevenção
A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, ressaltou que ferramentas científicas, como a profilaxia pré-exposição (Prep) injetável de longa duração, são decisivas. O medicamento pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses. Para cumprir a meta de erradicar a Aids como ameaça pública até 2030, a entidade estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à tecnologia.
Contudo, a liderança das Nações Unidas alertou que avanços científicos isolados não encerram a epidemia. Segundo a organização, a implementação eficaz das novas tecnologias exige as seguintes medidas prioritárias:
- Garantia de preços acessíveis e incentivo à competição via medicamentos genéricos;
- Estímulo à fabricação regional e transferência de tecnologia para países em desenvolvimento;
- Inclusão rápida e desburocratizada dos tratamentos nos programas nacionais de saúde pública;
- Recomposição urgente dos orçamentos globais destinados à prevenção e tratamento.
Corte no financiamento e estigmatização
O maior obstáculo atual é a retração financeira. Em 2025, os recursos do programa de assistência Overseas Development Assistance (ODA) caíram 23%, afetando gravemente países africanos que dependem dessas verbas para mais de 90% das ações de combate. Atualmente, uma em cada cinco pessoas com HIV não recebe tratamento, proporção que chega a quase metade das crianças infectadas.
A discriminação social e a criminalização de populações vulneráveis também agravam o cenário. Pela primeira vez, aumentou o número de países que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, totalizando 66 nações. Além disso, barreiras legais atingem trabalhadores sexuais e usuários de drogas, afastando pessoas infectadas dos serviços básicos de saúde e facilitando a proliferação da doença.
FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil
Fonte: Quentuchas

