O número de doadores de sangue no Rio Grande do Sul está abaixo do necessário para atender a demanda dos hospitais. Segundo o Hemocentro do Rio Grande do Sul (Hemorgs), o Estado precisa de pelo menos 100 doadores por dia, mas, em períodos sem campanhas organizadas, o movimento pode cair para cerca de 45 doações diárias.
Uma única doação, com retirada de aproximadamente 380 ml a 400 ml de sangue, pode beneficiar até quatro pessoas. O material coletado é utilizado no atendimento de pacientes com doenças hematológicas, pessoas submetidas a cirurgias, transplantes de órgãos e tratamentos contra o câncer.
A preocupação aumenta diante do crescimento da oferta de procedimentos de saúde no Estado. Com mais transplantes e cirurgias sendo realizados, a necessidade de manter os estoques abastecidos também cresce.
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Segundo a enfermeira Ana Dagord, responsável pelo Setor de Captação de Doadores do Hemorgs, o número de doadores ainda não acompanha o avanço dos atendimentos.
“Precisamos ter no mínimo 100 pessoas doando por dia, mas, sem grupos organizados para doação, chegamos a, no máximo, 45 doadores”, explica.
O Hemorgs é responsável pelo fornecimento de sangue para cerca de 40 instituições de saúde do Estado que não possuem estrutura própria de coleta. Hospitais da Capital que contam com bancos de sangue próprios também podem recorrer ao hemocentro estadual quando há necessidade de reposição dos estoques.
Doação é rápida e segura
O processo de doação é simples e dura menos de 40 minutos, considerando cadastro, entrevista e coleta.
Antes da retirada do sangue, o candidato passa por uma triagem com perguntas sobre hábitos de vida e condições de saúde recentes. A orientação é que o doador esteja bem alimentado, hidratado, tenha dormido adequadamente e não apresente sintomas de gripe, resfriado ou febre no dia da doação.
Após a coleta, o doador recebe um lanche e permanece em observação por pelo menos 15 minutos ou até se sentir recuperado.
Aumento de transplantes eleva demanda por sangue
O crescimento dos procedimentos médicos também impacta diretamente os estoques. Nos primeiros seis meses deste ano, o Rio Grande do Sul realizou quase 1,1 mil transplantes de órgãos, número próximo ao total registrado durante todo o ano anterior.
O avanço colocou o Estado entre os líderes nacionais em transplantes e, consequentemente, aumentou a necessidade de bolsas de sangue disponíveis para os pacientes.
Segundo o Hemorgs, o ideal seria que entre 2% e 3% da população gaúcha fosse doadora, mas atualmente o índice está abaixo de 1,4%.
Quem pode doar sangue
Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos, desde que estejam saudáveis e atendam aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Algumas regras:
- Menores de 18 anos precisam de autorização ou acompanhamento dos responsáveis;
- Pessoas com mais de 60 anos só podem doar se já tiverem realizado doações anteriormente;
- É necessário pesar pelo menos 50 kg;
- O doador não pode estar com febre, gripe ou resfriado;
- Gestantes e mães que amamentam bebês com menos de 12 meses não podem doar.
Também existem restrições temporárias para pessoas que fizeram tatuagem, piercing ou acupuntura recentemente, conforme as condições de segurança do procedimento.
Pessoas com algumas doenças ou condições específicas, como hepatites virais, HIV, doença de Chagas ou uso de drogas injetáveis, não podem realizar doação.
Todas essas informações são avaliadas durante uma entrevista individual e sigilosa, que tem como objetivo garantir a segurança do doador e do paciente que receberá o sangue.
Intervalo entre doações
Quem já é doador deve respeitar os períodos mínimos:
- Homens: podem doar a cada dois meses, com limite de quatro doações em 12 meses;
- Mulheres: podem doar até três vezes ao ano, com intervalo mínimo de três meses.
Campanhas levam coleta ao interior
Como muitos municípios não possuem pontos fixos de coleta, o Hemorgs realiza campanhas itinerantes com unidades móveis em parceria com prefeituras.
A iniciativa permite que moradores do interior também participem. Em algumas ações, a mobilização da comunidade tem grande adesão, como ocorreu em Nova Hartz, onde uma unidade móvel realizou 84 atendimentos em um único dia.
O Hemorgs destaca que benefícios como folga no trabalho, descontos e vantagens em algumas situações não devem ser o principal motivo para doar.
Segundo a instituição, a doação deve ser um ato voluntário e solidário, ajudando a garantir que familiares de pacientes internados não precisem buscar doadores em momentos de dificuldade.
A orientação é que pessoas interessadas procurem um hemocentro ou acompanhem as campanhas de coleta realizadas em suas regiões. A doação de sangue é um gesto simples que pode salvar vidas.
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