Especialistas da Argentina e dos Estados Unidos anunciarão nesta sexta-feira (5) a extensão da análise de roedores para o estudo da propagação do hantavírus na província de Mendoza. A iniciativa faz parte da investigação de um surto detectado no transatlântico MV Hondius, que resultou em 13 casos confirmados ou prováveis e três mortes, e que já havia motivado estudos na Terra do Fogo.
Nova fase da investigação em Mendoza
A pesquisa em Mendoza será conduzida por biólogos do centro argentino de pesquisa e diagnóstico epidemiológico Malbrán, em colaboração com especialistas dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Os locais de estudo foram selecionados com base em critérios ecológicos e ecoepidemiológicos relacionados aos hábitos dos roedores.
Além do rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus), principal transmissor do hantavírus, serão coletadas amostras dos roedores Abrothrix hirta e Abrothrix olivacea, também associados à transmissão em ambientes naturais.
Contexto do surto e estudos anteriores
Os estudos em Mendoza se somam aos realizados em maio na Terra do Fogo, província que abriga Ushuaia, de onde o navio MV Hondius partiu em 1º de abril. Naquela ocasião, a missão capturou mais de 100 roedores para análise, mas não encontrou nenhum rato-de-cauda-longa entre eles.
O Ministério da Saúde argentino informou que as amostras da Terra do Fogo continuam sob análise, e seus resultados são esperados para fornecer informações-chave sobre o estudo epidemiológico do surto. O surto no cruzeiro correspondeu à cepa Andes do hantavírus, a única conhecida por ser transmissível entre seres humanos, e que circula no sul do Chile e da Argentina.
Hantavírus: características e riscos em Mendoza
O hantavírus é uma doença pouco frequente, transmitida principalmente pelo rato-de-cauda-longa. Atualmente, não existem vacinas nem tratamentos específicos para a infecção. Embora seja endêmico em várias províncias argentinas, Mendoza não registra circulação autóctone confirmada do vírus.
A Universidade de Mendoza, no entanto, alertou para uma potencial presença do roedor reservatório na região. Apesar disso, especialistas ressaltaram que o risco de a situação sair do controle é considerado baixo.
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