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Mulher presa em SC confessou fingir ser adolescente de 12 anos e aplicava golpes em sete estados

Uma mulher de 37 anos, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi presa em flagrante nesta semana em Joinville, Santa Catarina, após confessar ter se passado por uma adolescente de 12 anos. O golpe, que se estendeu por pelo menos 14 meses, alcançou vítimas em, pelo menos, sete estados brasileiros. Uma das vítimas, Viviane […]


Uma mulher de 37 anos, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi presa em flagrante nesta semana em Joinville, Santa Catarina, após confessar ter se passado por uma adolescente de 12 anos. O golpe, que se estendeu por pelo menos 14 meses, alcançou vítimas em, pelo menos, sete estados brasileiros. Uma das vítimas, Viviane Henriques, do Rio de Janeiro, detalhou a experiência em entrevista à Rádio Gaúcha neste sábado (6).

Golpista se aproximou alegando ser vítima de abuso

Viviane Henriques, presidente do instituto Mães que Abençoam com Amor, contou que Amanda se aproximou dela por meio de mensagens em redes sociais. A golpista alegava ser vítima de abuso sexual e forçada pelo pai a se prostituir, além de afirmar ter fugido do Ceará para o Rio de Janeiro.

Acreditando na história, Viviane e uma amiga, Renata, acolheram Amanda por cerca de dois meses em uma casa alugada. Viviane descreve que a mulher apresentava comportamento recluso, conversava pouco, passava a maior parte do tempo deitada e tinha baixa estatura.

Amanda alegava que o pai a forçava a tomar hormônios, o que contribuía para a farsa de sua idade. “De início, a gente acreditava porque nós pensamos, poxa, uma menina que sofreu isso tudo, né, supostamente, sofreu todo esse abuso. A gente não obrigava ela a conversar”, explicou Viviane.

Desconfiança e descoberta da fraude

A desconfiança de Viviane começou a crescer devido a inconsistências no comportamento de Amanda. A golpista utilizava casacos com capuz constantemente e apresentava reações diferentes quando estava com Viviane e com Renata. “Ela só tinha supostas crises de autismo com a Renata, comigo ela não tinha. Eu falei: tem alguma coisa errada”, relatou Viviane.

A prova definitiva veio quando Viviane, na frente de Renata, enviou uma mensagem para Amanda pelo celular que a golpista estava usando. Ao se identificar como “Duda”, Viviane recebeu uma resposta normal. No entanto, quando Renata enviou uma mensagem logo em seguida, Amanda respondeu com um apelo desesperado, alegando ter caído, batido a cabeça e estar com medo.

Outro ponto que levantou suspeitas foi a presença de agulhas espalhadas pelo corpo de Amanda. Segundo Viviane, a mulher já foi acolhida com os materiais no corpo, que começaram a sair enquanto ela estava sentada. Um grampo de madeira também foi encontrado.

Radiografia revela centenas de agulhas e investigação policial

Amanda se recusou a receber atendimento médico, alegando medo de que seu pai fosse contatado. Viviane, então, a levou para fazer uma radiografia, que revelou a presença de cerca de 200 agulhas. A golpista justificou os materiais como parte de um ritual imposto pelo pai.

Com as suspeitas confirmadas, Viviane procurou uma delegada da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A investigação rápida, em cerca de 24 horas, confirmou as suspeitas. “O esposo dela, que é inspetor, sentou comigo e disse: ‘Olha, isso é um golpe’. E me mostrou alguns registros de outros estados”, contou Viviane.

Histórico de golpes e prisões

Amanda Maria Souza de Oliveira foi presa em flagrante em Santa Catarina após denúncia de uma parente que descobriu o crime. A polícia apura os crimes de estelionato e falsa identidade. A golpista já possuía um histórico de golpes semelhantes em outros estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Viviane chegou a contatar um irmão de Amanda, mas ele demonstrou desinteresse em manter contato com a irmã.