Os trabalhadores da Portobello, maior fabricante de cerâmica da América Latina, rejeitaram a proposta de acordo coletivo 2026/2027 apresentada pela empresa em assembleia realizada na última quinta-feira (21), em Tijucas.
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Conforme o Sindicato dos Ceramistas de Tijucas (SindCER), a maioria dos presentes votou contra a proposta. A empresa havia oferecido reajuste salarial de 4,11% pelo INPC para os trabalhadores que não recebem o prêmio assiduidade, e aumento do prêmio de R$ 450 para R$ 800 para os demais. O salário inicial da categoria é de R$ 2.300.
O que a empresa ofereceu
A proposta rejeitada era dividida em duas frentes. Para os ceramistas que não recebem o prêmio assiduidade, a correção salarial seria pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 4,11%. Já para quem recebe o benefício, o aumento seria exclusivamente no prêmio, que passaria de R$ 450 para R$ 800, um reajuste de 77%.
O sindicato informou que o salário inicial da categoria na Portobello é de R$ 2.300, mas que a maioria dos trabalhadores já recebe acima do piso.
O que diz o sindicato
Eduardo Santana, do SindCER Tijucas, afirmou que o sindicato respeita a decisão da categoria.
“A assembleia é soberana. Vamos convidar a empresa a retomar as negociações tendo em vista a negativa da categoria. Acredito que ainda há espaço para negociações”
A Portobello não se manifestou publicamente sobre a rejeição da proposta até a publicação desta reportagem.
Crise financeira
A rejeição acontece em um momento delicado para a Portobello. A empresa, sediada às margens da BR-101 em Tijucas e com operações no Brasil e no exterior, encerrou o exercício de 2025 com receita líquida de R$ 2,6 bilhões, mas registrou prejuízo líquido de R$ 291 milhões no período.
O resultado negativo foi impactado pelas enchentes que atingiram as operações em Santa Catarina no início de 2025 e pelo aumento das despesas financeiras em cenário de juros elevados no país.
Na bolsa de valores, a ação da empresa (PTBL3) é negociada a R$ 1,94, acumulando queda de 62% nos últimos 12 meses. A companhia não distribui dividendos aos acionistas.
Troca de comando
No início de maio, a Portobello passou por mudança na presidência. Cesar Gomes Junior, sócio fundador e ex-presidente do conselho de administração, assumiu o cargo de CEO em 1º de maio de 2026, substituindo John Shojiro Suzuki, que deixou a função em comum acordo com a empresa.
Próximos passos
O sindicato pretende convocar a Portobello para retomar as negociações do acordo coletivo. Até o momento, não há nova data definida para assembleia ou rodada de negociação entre as partes.
Fonte: Jornal Razão