A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) tem sido uma das únicas parlamentares do PL a participar ativamente da comissão especial que analisa a PEC para acabar com a escala de trabalho 6×1, na Câmara dos Deputados. Apesar de o partido contar com sete vagas no colegiado, a presença da legenda no debate tem sido reduzida.
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Na terça-feira (19/5), a parlamentar catarinense deixou a sessão sob vaias de apoiadores da proposta, mas manteve a posição contrária à mudança imediata na jornada. Zanatta defende uma transição prolongada e compensações às empresas antes de qualquer alteração definitiva.
A defesa do pequeno negócio
No discurso, a deputada concentrou o argumento no impacto sobre quem emprega e sobre o próprio trabalhador. Ela afirmou que a maior parte dos empregos no país está em pequenas empresas e que a conta da mudança recairia sobre quem já está endividado.
Quem sabe matemática sabe que a conta não fecha. É justo e é lindo querer um dia a mais de folga. Mas quem vai pagar essa conta? O trabalhador brasileiro que já está endividado.
Zanatta sustentou que a jornada deveria ser objeto de negociação entre patrões e empregados, com liberdade para acordos de quatro por três ou cinco por dois, em vez de uma regra única imposta a todos os setores.
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Pressão e relato de ameaça
Durante a fala, a deputada relatou ter recebido uma ameaça nas redes sociais por causa de seus posicionamentos no debate. Segundo Zanatta, uma mensagem dizia que ela mereceria ser baleada no rosto. A parlamentar afirmou que o caso foi levado à Polícia Federal. Não havia, até a publicação, confirmação oficial sobre o registro.
Mesmo diante das vaias e da interrupção do microfone pela presidência da sessão, a deputada disse não recuar.
Não tenho medo de defender a verdade. Não faço política pensando nas próximas eleições, mas sim nas próximas gerações.
Pauta eleitoreira, segundo a deputada
Zanatta também acusou a proposta de ser uma pauta político-eleitoreira. Segundo a deputada, o presidente Lula colocou o tema como “salvação” no ano de eleição, apesar de estar no terceiro mandato sem nunca ter enfrentado a questão antes.
“Vocês estão aqui pra fazer campanha política, não é pra defender trabalhador”, disparou Zanatta para os presentes na comissão.
A composição da comissão
Além de Julia Zanatta, o PL indicou para o colegiado os deputados Dani Cunha (PL-RJ), Luiz Carlos Motta (PL-SP), Paulo Marinho Jr. (PL-MA), Rodrigo da Zaeli (PL-MT), Zé Trovão (PL-SC), Soraya Santos (PL-RJ) e Mauricio Marcon (PL-RS).
A PEC da escala 6×1 segue em análise na comissão especial. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), defende uma jornada de 40 horas semanais com dois dias de descanso e sem perda salarial, e deve apresentar seu parecer em breve. Após a votação no colegiado, o texto ainda precisa passar pelo plenário da Câmara.
Fonte: Jornal Razão