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‘Vamos devolver o dinheiro’: Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e cobra Lula por CPMI

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira (19), em Brasília, que o valor aportado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na produção do filme “Dark Horse” será separado e ficará à disposição das autoridades brasileiras após o lançamento do longa. A cinebiografia, sobre o ex-presidente Jair […]


O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira (19), em Brasília, que o valor aportado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na produção do filme “Dark Horse” será separado e ficará à disposição das autoridades brasileiras após o lançamento do longa. A cinebiografia, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, tem estreia anunciada para setembro de 2026. A declaração foi dada em coletiva à imprensa logo após uma reunião com deputados e senadores da bancada do PL, na sede do partido em Brasília. O senador falou cercado por aliados, entre eles o senador e ex-juiz Sergio Moro (PL-PR).


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“O meu outro pedido, e o jurídico também concordou, é que assim que o filme começar a dar o resultado, o valor que foi aplicado no filme em função do investimento, por intermédio dessa empresa indicada pelo Daniel Vorcaro, ele vai ser destacado, ele vai ser separado para que fique à disposição das autoridades brasileiras para fazer o que entender que está dentro da lei”, afirmou o pré-candidato.

Na mesma coletiva, o senador formalizou outro pedido. Conforme ele, a produtora e o fundo responsáveis pela captação foram solicitados a apresentar prestação de contas detalhada das despesas do filme em até trinta dias. “Eu pedi tanto à produtora quanto ao fundo que eles se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento no filme, de forma transparente, em até trinta dias”, declarou.

Flávio confirma encontro com Vorcaro

O senador confirmou que esteve pessoalmente com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro pela Polícia Federal, em novembro de 2025. O encontro ocorreu na residência do empresário em São Paulo, quando ele já havia sido liberado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e cumpria medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

“Eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico, ele não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. É dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco.”

Conforme Flávio, o áudio em que ele pede uma “luz” ao banqueiro, vazado na semana passada, foi gravado um dia antes da primeira prisão de Vorcaro. “Foi aquele áudio que todos aí ouviram, e que eu peço uma luz para saber uma palavra final sobre o que é que vai acontecer. Porque o filme do Jair estava no ar num grande risco. E no dia seguinte ele foi preso. Neste momento é que nós vimos ali que deu uma virada de chave, nós entendemos que a situação era muito mais grave”, afirmou.

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Como começou o contato

O senador reconstruiu o histórico do contato com o banqueiro. Conforme Flávio, ele conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, em um jantar em que discutia as dificuldades de captação de recursos para o filme com empresários brasileiros. “No final de 2024, num jantar com um amigo, eu comentava sobre o filme, da dificuldade de arrumar investidores aqui no Brasil. As pessoas estavam com medo de colocar seu CPF, colocar sua empresa num simples patrocínio plural, que é um filme em homenagem ao melhor presidente da República que esse país já teve, injustiçado”, disse.

Conforme o senador, o amigo apresentou Vorcaro como alguém que “circulava em todas as rodas aqui em Brasília, em eventos com ministro do Supremo, na alta roda de empresários, patrocinando eventos de várias emissoras de televisão inclusive fora do Brasil”. “Portanto, a pessoa à época estava acima de qualquer suspeita”, justificou o senador.

Conforme Flávio, o contrato foi assinado entre a produtora do filme e uma empresa indicada por Vorcaro como investidora junto a um fundo. O último pagamento da empresa, segundo o senador, ocorreu em maio de 2025. A partir daí, conforme o relato, ele passou a cobrar Vorcaro diretamente. “Eu falava: se você não conseguir honrar, não tem problema, eu vou atrás de outros investidores. E ele me dizia sempre que ia honrar o contrato”, afirmou.

Cobrança a Lula e pressão por CPMI

Durante a coletiva, o pré-candidato voltou a cobrar a instalação da CPMI do Banco Master. Flávio citou reportagem publicada no domingo (17) que, segundo ele, mostraria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhando Vorcaro a não vender o Banco Master para outra instituição, em reunião com a presença do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à época ainda diretor da autarquia.

“Em primeiro lugar, é uma prova de que o Roberto Campos Neto não tinha absolutamente nada a ver com a tentativa de ajudar o Banco Master, pelo contrário, essa conversa demonstra que era um empecilho. E em segundo lugar, fica evidente o envolvimento do próprio presidente da República, com o Lula praticamente aconselhando o dono do Banco Master”, declarou.

“É mais urgente do que nunca a CPMI do Banco Master. Vai ser a única forma de separar inocente. Até agora a esquerda não assinou, não tem assinatura de ninguém da base do governo com coragem de assinar porque a gente quer a verdade.”

O senador também criticou a atuação de parte da Polícia Federal, ao citar a troca do delegado que conduzia investigação envolvendo o filho do presidente Lula. “O delegado que quebrou o sigilo do Lulinha na investigação do roubo do INSS é trocado na mão grande. Eu só não sei se ele foi ameaçado, se quis ou se foi obrigado a sair de lá de alguma outra forma. Isso é um escândalo. Isso não pode ser admitido”, afirmou.

Conforme Flávio, ele exibiu durante a reunião um trailer do filme aos parlamentares do PL e prometeu liberar o conteúdo nas redes sociais até domingo (24). “A gente vai disponibilizar esse trailer até domingo para todo mundo escutar nas redes sociais e também para vocês da imprensa”, disse.

Entenda o caso

A reunião desta terça-feira foi a primeira articulação ampliada do PL desde a semana passada, quando vieram a público áudios e mensagens entre Flávio e Vorcaro envolvendo a captação de recursos para a produção do filme “Dark Horse”. Conforme as primeiras reportagens, a negociação envolveria um aporte de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões à época. A produtora do filme, a GoUp Entertainment, divulgou nota afirmando que não consta no quadro de investidores qualquer recurso proveniente de Vorcaro ou do Banco Master.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para o exterior. Poucos dias depois, o TRF-1 concedeu liberdade ao banqueiro com restrições, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a apresentação periódica à Justiça. Foi nesse intervalo que ocorreu a visita confirmada pelo senador. Em 4 de março de 2026, Vorcaro foi preso novamente, desta vez por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, no âmbito da Operação Compliance Zero. Conforme a decisão, havia “risco concreto de interferência nas investigações”.

A crise também tem reverberado entre aliados. Na quarta-feira (13), o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, classificou em vídeo a conduta de Flávio como “imperdoável”. Nesta terça-feira, em Balneário Camboriú, Zema reafirmou a crítica, mas garantiu que as alianças do Novo com o PL nos estados, inclusive em Santa Catarina, seguem mantidas. No Congresso, a oposição articula a criação da CPMI do Dark Horse para investigar a relação entre integrantes da família Bolsonaro e o Banco Master.



Fonte: Jornal Razão

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