Dois barbeiros apontados pela Justiça como participantes do homicídio de Paulo Lourenço dos Santos, ocorrido em outubro de 2025, no bairro Praça, foram presos pela Polícia Militar de Santa Catarina nesta quarta-feira (13), em Tijucas. Joilson Rangel de Lima Júnior, de 30 anos, e o venezuelano Alejandro Nicolas Rodriguez Zambrano, de 27, foram capturados no bairro Universitário enquanto atendiam clientes. As duas prisões fecham o ciclo de capturas no caso que chocou a cidade.
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As ações foram realizadas pela equipe tática do 31º Batalhão de Polícia Militar (31º BPM), em cumprimento a mandados expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Tijucas. Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, as guarnições atuaram após informações da Agência de Inteligência local sobre a localização dos procurados na cidade.
O cabelo pela metade
Por volta das 17h, a guarnição tática chegou até uma residência na Rua Ceará, no bairro Universitário, onde os dois barbeiros foram localizados em pleno atendimento de clientes. O Jornal Razão apurou que Alejandro estava “na metade” de um corte de cabelo no momento em que foi abordado, e o cliente acabou ficando “pela metade”, sendo que outro barbeiro precisou assumir o serviço logo após a prisão. Joilson, por sua vez, também atendia um cliente, mas estava quase finalizando o trabalho quando a guarnição chegou. Os dois são proprietários de barbearia na cidade e, segundo a Polícia Militar, cooperaram com as ordens dos policiais. Foram conduzidos ao Presídio Regional de Tijucas, onde permanecem à disposição da Justiça.
A discussão na loja de bebidas que acabou em duplo homicídio
A sequência de crimes que culminou nas prisões desta quarta-feira começou na madrugada do dia 4 de outubro de 2025, em uma loja de bebidas do bairro Praça. Conforme a investigação, Ademir Madruga dos Santos, de 45 anos, conhecido como “Amigão”, repreendeu o jovem Pablo Antunes Mariano por conta de uma discussão envolvendo sua companheira. Pablo demonstrou não aceitar a postura de Ademir, que deixou o estabelecimento na sequência.
Poucas horas depois, ainda no início da manhã, Pablo e o amigo André Santos Dutra dirigiram-se até a residência de Ademir, na Rua Pedro Mariano Rocha Júnior. Conforme a investigação, Ademir os aguardava na porta, já armado. Ao se deparar com as vítimas, ele efetuou um disparo contra Pablo, que caiu no chão. Na sequência, foi ao encalço de André, que tentava fugir, e atingiu o jovem pelas costas, fazendo com que ele também caísse. Ademir teria tentado efetuar novos disparos, mas a arma falhou. Ele fugiu do local a bordo de um veículo Ford/Ecosport de cor preta. Horas depois, foi preso em Brusque, onde policiais militares localizaram com ele um revólver calibre .38 com numeração suprimida.
A vingança contra o enteado
Ainda na manhã do dia 4 de outubro, a poucos metros do local do duplo homicídio, foi a vez de Paulo Lourenço dos Santos, enteado de Ademir, ser executado por vingança. Conforme apurado pelas autoridades, um grupo dirigiu-se até a residência da vítima e passou a exigir que ele saísse do imóvel. Paulo, que dormia, cedeu à insistência e saiu, desarmado. Foi questionado sobre os homicídios cometidos pelo padrasto, na madrugada, e, antes mesmo que pudesse responder, foi atingido por uma sequência de disparos. Ao todo, foram ao menos 16 tiros, em diversas regiões do corpo, incluindo membros superiores, inferiores, tronco e cabeça. A motivação, segundo a investigação, foi a suspeita de que Paulo teria participado do ataque que matou Pablo e André horas antes.
O papel de cada um no ataque
Segundo a apuração, Alejandro é apontado como um dos atiradores que efetuou disparos contra Paulo, ao lado de Lucas Roselindo Lima da Silva, de 24 anos, conhecido como “Lucão”, e Josias Martins, de 31, conhecido como “Capetinha”. Os dois foram presos ainda nos primeiros dias após o crime e seguem no Presídio Regional de Tijucas.
Joilson, por sua vez, é apontado como tendo prestado apoio à execução. Conforme a investigação, ele teria realizado a verificação da área antes do ataque a bordo de um veículo BMW de cor branca, além de dar cobertura ao grupo durante a ação e auxiliar na fuga após os disparos.
Os próximos passos
Com as duas prisões, todos os envolvidos no homicídio de Paulo Lourenço dos Santos identificados pela investigação estão recolhidos. Ademir Madruga, autor confessado do duplo homicídio que originou a sequência, segue preso desde o dia dos fatos. A ação penal tramita na Vara Criminal da Comarca de Tijucas, e os acusados deverão responder pelos crimes perante o Tribunal do Júri.
Fonte: Jornal Razão