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‘Ainda falta um’: pais de menina de 12 anos estuprada e morta em SC abrem o coração em vídeo

Os pais de Ana Beatriz Schelter, menina estuprada e morta aos 12 anos em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, gravaram um vídeo emocionado ao lado da advogada Giliani Coelho na noite desta terça-feira (12), em Ibirama, logo após o primeiro réu do caso, Mário Pfleger, ser condenado a 58 anos e 9 […]


Os pais de Ana Beatriz Schelter, menina estuprada e morta aos 12 anos em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, gravaram um vídeo emocionado ao lado da advogada Giliani Coelho na noite desta terça-feira (12), em Ibirama, logo após o primeiro réu do caso, Mário Pfleger, ser condenado a 58 anos e 9 meses de prisão. Mais de uma década depois do crime, o pai Ismael Schelter fez questão de lembrar que a luta não acabou.


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“Falta mais um julgamento, mas ali é só o começo. Nós estamos lutando pela Ana Beatriz por justiça.”

A condenação de Mário Pfleger, anunciada na madrugada desta quarta-feira (13) após 16 horas de julgamento no Tribunal do Júri de Florianópolis, é o primeiro desfecho judicial em mais de dez anos no caso que comoveu Santa Catarina. Ana Beatriz Schelter desapareceu no dia 2 de março de 2016, quando saiu de casa para ir ao Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, no bairro Canta Galo, em Rio do Sul. O corpo da menina foi encontrado no dia seguinte, dentro do baú de um caminhão de uma empresa de locação de banheiros químicos, às margens da BR-470, com uma corda no pescoço simulando um suicídio por enforcamento. A perícia descartou a hipótese e apontou estupro e morte por asfixia.

Pela Ana e pelas outras crianças

A mãe, Cláudia Schelter, contou que gravou o vídeo logo após o resultado da votação dos jurados. “Foi pela Ana. Ela está com nós e está comemorando com a gente a justiça dela. Não traz ela de volta, mas pelo menos vai ajudar que ele não vai fazer mais com nenhuma criança”, afirmou.

ASSISTA AO VÍDEO

Em outro trecho, ela descreveu o peso dos últimos dez anos. “A gente estava bem nervoso, mas o que a gente lutou esses dez anos a gente conseguiu”, disse. Ismael completou: “A justiça tá vindo para minha filha, tirando aquele peso, aquela carga que a gente carregou tanto tempo”.

Ainda falta um julgamento

Mário Pfleger foi condenado a 58 anos e 9 meses de prisão em regime fechado, mais 9 meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto, pelos crimes de estupro de vulnerável e homicídio qualificado. Único preso preventivamente desde fevereiro de 2020, ele foi apontado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) como o homem que ofereceu carona à menina no dia do crime e o único dos três denunciados que era conhecido da família.

Os outros dois réus, segundo o MPSC, eram conhecidos do mentor e respondem ao processo em liberdade. Um deles é acusado de estupro de vulnerável e homicídio qualificado por ter participado do crime no veículo. O terceiro responde por fraude processual qualificada, sob a acusação de ter ajudado a ocultar o corpo. Os dois devem enfrentar o Tribunal do Júri no dia 25 de junho de 2026, também em Florianópolis.

A justiça tem memória

A advogada Giliani Coelho, assistente de acusação que acompanha a família há oito anos, publicou uma mensagem nas redes sociais logo após a condenação.

“Eles esperaram 10 anos por esse dia. A cicatriz nunca some, ela só muda de forma. Cláudia e Ismael me ensinaram o que é força de verdade. Esse caso me mudou como advogada e como pessoa. Infelizmente, muitos crimes ficam impunes. Mas a justiça tem memória e hoje ela falou.”

No vídeo gravado no escritório da advogada, em Ibirama, ela também agradeceu o trabalho do Ministério Público e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Blumenau, responsável pela Operação Fênix, que levou à prisão de Pfleger em 2020. “Em especial o pessoal do GAECO, que foi importantíssimo nesse caso”, afirmou.

“Pela prevenção também”

No final do vídeo, Ismael e Cláudia pediram que a sociedade siga acompanhando o caso e ressaltaram a importância de evitar que novos crimes contra crianças aconteçam.

“Não só pela Ana Beatriz, mas pelas outras crianças. Pela prevenção, pra que isso nunca mais aconteça. Que nenhuma outra pessoa se passe por amigo da família e se aproveite da bondade alheia pra praticar uma barbaridade.”

A família também agradeceu o apoio recebido durante a década de luta. “Graças a Deus está lutando por nós, aqui com a nossa família”, disse Ismael. Cláudia ressaltou que segue firme até o fim: “Quero a justiça”.

Entenda o caso

  • 2 de março de 2016: Ana Beatriz Schelter, de 12 anos, sai de casa para ir à escola, em Rio do Sul, e não retorna.
  • 3 de março de 2016: o corpo da menina é encontrado dentro do baú de um caminhão de uma empresa de locação de banheiros químicos, às margens da BR-470, com simulação de suicídio por enforcamento.
  • Fevereiro de 2020: Mário Pfleger é preso preventivamente, após investigação da Operação Fênix do GAECO de Blumenau.
  • Outubro de 2025: o júri popular previsto para 29 de outubro em Rio do Sul é suspenso pelo TJSC após pedido da defesa.
  • Fevereiro de 2026: o TJSC autoriza o desaforamento do júri para Florianópolis.
  • 12 de maio de 2026: começa o primeiro julgamento, no Tribunal do Júri da Capital.
  • 13 de maio de 2026: após 16 horas de julgamento, Mário Pfleger é condenado a 58 anos e 9 meses de prisão.
  • 25 de junho de 2026: data marcada para o julgamento dos outros dois réus, também em Florianópolis.

Conforme decisão da Justiça, o julgamento dos dois acusados restantes está marcado para o dia 25 de junho de 2026, no Tribunal do Júri de Florianópolis. A família e a defesa seguem mobilizadas para acompanhar a sessão.



Fonte: Jornal Razão

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