A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está avaliando a adoção de medidas jurídicas contra vídeos que circulam nas redes sociais, nos quais indivíduos aparecem ingerindo detergente. A informação foi confirmada pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (11), que destacou a apuração desses conteúdos que, segundo ele, buscam politizar uma decisão técnica da agência reguladora.
Análise de protestos e politização
Padilha explicou que a Anvisa recebeu diversas imagens de pessoas consumindo o produto de limpeza em uma forma de protesto. Esses vídeos teriam surgido após a agência determinar a suspensão temporária de alguns produtos da Ypê por irregularidades na produção, e a repercussão de que os donos da empresa teriam feito doações para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
“A Anvisa recebeu esses vídeos e está analisando cada um deles e analisando o que pode ser feito por meios jurídicos”, afirmou o ministro, durante evento no Planalto. Ele ressaltou que a agência “não tem lado partidário” e que suas decisões são estritamente técnicas.
Entenda a decisão da Anvisa sobre a Ypê
A controvérsia teve início na última quinta-feira (7), quando a Anvisa publicou a Resolução nº 1.834/2026. Este documento determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de:
- Lava-louças
- Sabão líquido para roupas
- Desinfetantes da marca Ypê com numeração final 1
A decisão foi fundamentada em uma avaliação técnica que identificou irregularidades em etapas consideradas críticas do processo produtivo da empresa.
No entanto, na sexta-feira (9), a Ypê conseguiu a liberação dos produtos novamente, após apresentar um recurso. Apesar disso, a Anvisa mantém a recomendação para que os consumidores evitem o uso dos itens citados na resolução até a completa conclusão do processo de recolhimento dos lotes irregulares.
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