A recepcionista Edilaine Cristina Pereira de Lima, de 22 anos, moradora de Balneário Piçarras, veio a público desmentir o enquadramento de uma reportagem regional que vinculou a internação do filho recém-nascido à contaminação por produtos da marca Ypê. Em mensagem enviada ao Jornal Razão nesta terça-feira, 12 de maio, ela afirmou de forma direta que a bactéria do bebê foi contraída dentro do hospital, em fevereiro, e que não tem qualquer relação com o lote de detergentes investigados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Questionada pela reportagem se o conteúdo do jornal regional procedia, Edilaine foi categórica.
“Não, meu bebê pegou a mesma bactéria, porém foi em fevereiro, mas foi no hospital. Estão tentando associar com o detergente, que foi pego pelo detergente, e não foi.”
A reportagem que ela contesta
A reportagem publicada por um jornal regional trazia como manchete a informação de que uma mãe alertava sobre o “perigo da bactéria dos produtos Ypê” após a hospitalização do filho, com subtítulo informando que a moradora de Balneário Piçarras ficou com o bebê internado por 14 dias em Itajaí. O texto associava o caso do recém-nascido ao recolhimento de produtos da Ypê determinado pela Anvisa na quinta-feira passada, dia 7 de maio, após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes fabricados na unidade de Amparo, em São Paulo.
Edilaine, no entanto, afirma que nunca disse que a contaminação do filho veio de qualquer produto da marca. A internação do bebê ocorreu entre fevereiro e março, mais de dois meses antes de a Anvisa apontar a presença da bactéria nos lotes de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê.
O que realmente aconteceu com o bebê
O filho de Edilaine nasceu em 29 de janeiro, no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. Conforme a mãe relata em publicação no Instagram, ela teve complicações no pós-parto e precisou permanecer internada junto com o bebê. Foi durante essa permanência hospitalar que o recém-nascido contraiu a Pseudomonas, confirmada por exames, laudos e documentos médicos. O bebê precisou ficar isolado por 14 dias e passou por tratamento intensivo com cinco antibióticos.
Em texto publicado em seu perfil para esclarecer o caso, Edilaine reforça que o objetivo dela ao falar publicamente era alertar sobre os riscos da bactéria, e não acusar a marca de limpeza.
“Em nenhum momento foi confirmado que a bactéria tenha vindo de detergente ou de qualquer produto da marca Ypê. O que relatei foi apenas que a bactéria identificada no meu bebê é a mesma bactéria mencionada nas notícias e investigações divulgadas publicamente neste ano envolvendo determinados lotes de produtos, algo que não possui relação confirmada com o caso do meu filho.”
Continua usando a marca normalmente
Outro ponto destacado pela recepcionista é que ela não deixou de consumir produtos da Ypê e nega qualquer motivação política ou interesse contra a empresa.
“Também quero deixar claro que não tenho qualquer envolvimento político, interesse contra marcas ou intenção de prejudicar empresas. Muito pelo contrário, eu mesma continuo utilizando normalmente os produtos da marca, apenas evitando os lotes que estariam sendo investigados até que tudo seja devidamente esclarecido pelas autoridades responsáveis.”
A mãe afirma ainda que sua intenção foi exclusivamente conscientizar a população sobre os riscos que a Pseudomonas pode causar em recém-nascidos, idosos, pacientes internados e pessoas com imunidade baixa, grupos considerados mais vulneráveis à bactéria.
O contexto nacional
O caso ocorre em meio à forte repercussão nacional da decisão da Anvisa de determinar, no dia 7 de maio, o recolhimento de 24 produtos da marca Ypê com lotes de numeração final 1, fabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo (SP). No dia seguinte, a empresa apresentou recurso administrativo e obteve efeito suspensivo, o que permitiu a continuidade da fabricação e comercialização dos itens. A Anvisa, porém, mantém a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos dos lotes afetados.
O episódio rapidamente foi politizado nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender a marca, apontando que a família Beira, controladora da Química Amparo, doou aproximadamente R$ 1 milhão à campanha de reeleição do ex-presidente em 2022. Vídeos de bolsonaristas tomando banho ou simulando beber detergente da marca viralizaram nas plataformas, gerando manifestações do Ministério da Saúde, que classificou as cenas como irresponsáveis.
Foi nesse cenário de polarização que o relato de Edilaine ganhou repercussão regional e foi compartilhado também por outros perfis das redes sociais, com a associação direta entre o caso do recém-nascido e o lote 1 do detergente investigado pela Anvisa. A própria mãe, nos comentários e em texto publicado em seu próprio perfil, contestou a interpretação.
“Peço apenas que as informações sejam divulgadas corretamente”
No texto que publicou para esclarecer o caso, Edilaine encerra com um pedido direto.
“Em nenhum momento afirmei que meu bebê foi contaminado pelo detergente, nem falei para as pessoas deixarem de usar a marca de forma geral. Peço apenas que as informações sejam divulgadas corretamente, sem distorcer minha fala ou criar conclusões que nunca foram afirmadas por mim.”
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum em ambientes hospitalares, conhecida por sua resistência a antibióticos e por representar risco principalmente a pessoas com o sistema imunológico fragilizado. A presença da mesma espécie em ambientes diferentes, como hospitais e produtos industriais, não estabelece, por si só, qualquer vínculo entre os casos.
Leia a íntegra do esclarecimento publicado pela mãe
Confira abaixo, na íntegra, o texto que Edilaine Cristina Pereira de Lima publicou em seu perfil no Instagram para esclarecer o caso.
“Quero esclarecer alguns pontos sobre as publicações relacionadas ao caso do meu bebê.”
“O caso aconteceu em fevereiro. Após o parto, eu tive complicações e precisei permanecer internada no hospital junto com meu bebê no pós-parto. Durante esse período, meu filho contraiu a bactéria pseudomonas, fato que foi confirmado através de exames, laudos e documentos médicos positivados para essa bactéria. Por esse motivo, posso falar sobre os riscos e tudo o que vivemos durante esse período.”
“Em nenhum momento foi confirmado que a bactéria tenha vindo de detergente ou de qualquer produto da marca Ypê. O que relatei foi apenas que a bactéria identificada no meu bebê é a mesma bactéria mencionada nas notícias e investigações divulgadas publicamente neste ano envolvendo determinados lotes de produtos, algo que não possui relação confirmada com o caso do meu filho.”
“Minha intenção ao falar sobre isso foi exclusivamente conscientizar as pessoas sobre os riscos que essa bactéria pode causar, principalmente em recém-nascidos, pessoas hospitalizadas e grupos mais vulneráveis, já que meu bebê precisou ficar internado por 14 dias, isolado e passar por tratamento intenso com antibióticos.”
“Também quero deixar claro que não tenho qualquer envolvimento político, interesse contra marcas ou intenção de prejudicar empresas. Muito pelo contrário, eu mesma continuo utilizando normalmente os produtos da marca, apenas evitando os lotes que estariam sendo investigados até que tudo seja devidamente esclarecido pelas autoridades responsáveis.”
“O alerta mencionado por mim foi apenas para conscientizar as pessoas sobre a importância de acompanhar as orientações oficiais relacionadas aos lotes divulgados publicamente e entender os riscos que essa bactéria pode causar.”
“Em nenhum momento afirmei que meu bebê foi contaminado pelo detergente, nem falei para as pessoas deixarem de usar a marca de forma geral.”
“Peço apenas que as informações sejam divulgadas corretamente, sem distorcer minha fala ou criar conclusões que nunca foram afirmadas por mim.”
Até a publicação desta reportagem, o veículo que publicou a manchete original não havia divulgado retratação ou atualização sobre o caso. O Hospital Marieta Konder Bornhausen também não se manifestou publicamente sobre a infecção hospitalar relatada pela família.
Fonte: Jornal Razão