O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado (9), em Florianópolis, que apenas o governador Jorginho Mello (PL) é candidato da direita ao governo de Santa Catarina nas eleições de 2026. A declaração provocou reação imediata do ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD), aliado histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro e também pré-candidato ao Executivo estadual.
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‘Quantos candidatos à direita tem em SC? Um’
Em entrevista coletiva durante o encontro estadual do PL no Stage Music Park, em Jurerê Internacional, Flávio respondeu a uma pergunta sobre o cenário da direita catarinense. A jornalista descreveu que o campo conservador no estado teria vivido “um momento de turbulência, uns solavancos, um negócio meio truncado”, antes de “tomar o rumo”, e citou que hoje há dois pré-candidatos identificados com a direita: o governador Jorginho Mello (PL) e o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD). Para o senador, no entanto, só há um candidato da direita.
Um. Jorginho Mello. O candidato à direita aqui em Santa Catarina é o Jorginho Mello.
O senador também elogiou a gestão estadual e disse que o governador “merece mais de quatro anos” à frente do Executivo.
A pessoa que eu conheço aqui, que foi senador comigo por quatro anos, está fazendo um mandato excepcional. E esse time que a gente está apresentando é muito importante: são senadores que vão ter acesso direto ao gabinete do presidente.
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A reação de João Rodrigues
A coletiva foi publicada minutos depois pela comunicadora Maga Topassoli (@magastopassoli) no Instagram. Em comentário feito e posteriormente excluído na publicação, João Rodrigues questionou, em tom ácido, a autoridade de Flávio Bolsonaro para classificar lideranças catarinenses no espectro político.
Mais me pergunto quem deu a escritura ou o poder dele dizer quem é ou não é de direita em Santa Catarina?
Em outro comentário, posteriormente também apagado, o ex-prefeito escreveu apenas “Opa”.
Aliado histórico de Jair Bolsonaro
A reação ganha relevo pelo histórico de aproximação entre João Rodrigues e a família Bolsonaro. Os dois foram colegas de Câmara dos Deputados durante seis anos, quando o catarinense exerceu mandato de deputado federal entre 2011 e 2018, e a relação se manteve próxima após a chegada do hoje ex-presidente ao Palácio do Planalto. Em março de 2022, no aniversário do então prefeito de Chapecó, Jair Bolsonaro gravou um vídeo de parabenização em que ressaltou a amizade.
Nosso entendimento e nossa amizade continuam. A gente vai continuar sempre junto.
Jair Bolsonaro, em vídeo a João Rodrigues (março de 2022)
Em entrevista durante a campanha municipal de 2024, o próprio João classificou a relação como pessoal e diferenciada de outras lideranças catarinenses: “somente eu posso falar que ele é meu amigo. Eu conheço ele e ele me conhece, diferente dos demais”. O catarinense foi um dos principais articuladores da campanha de Bolsonaro em Santa Catarina em 2018 e 2022, montando comitês suprapartidários de apoio, e em 2020 chegou a ter um vídeo divulgado pelo então presidente em suas redes sociais sobre a pandemia em Chapecó.
O racha com Jorginho e a ‘direita histórica’
Apesar da identidade ideológica que compartilha com o governo do Estado, João Rodrigues rompeu com Jorginho Mello e descartou aliança nas eleições de 2026. Em discurso em encontro do PSD em Santa Catarina, em setembro de 2025, o então prefeito reivindicou para si o que chamou de “direita histórica”.
Se o assunto é direita, me respeite, eu sempre estive aqui.
Em entrevista à Gazeta do Povo publicada em setembro de 2025, ele aprofundou a distinção: “Você tem a direita histórica e a direita de momento. A minha é a histórica, eu sempre fui de direita. Nunca tive alianças políticas com a esquerda”. João Rodrigues renunciou à prefeitura de Chapecó em 21 de março deste ano para concorrer ao governo do Estado.
A disputa pela direita em SC em 2026
A pré-candidatura do PSD é a principal aposta da legenda no estado para enfrentar Jorginho Mello. Pesquisa Atlas/Intel divulgada em março apontou Jorginho na liderança com 49,4% das intenções de voto, seguido por João Rodrigues com 21,4% e por Gelson Merísio com 13,8%. Merísio, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e também identificado historicamente com o campo conservador, deixou o Solidariedade pelo PSB e foi escolhido para liderar a chapa da esquerda no estado, com apoio de PT, PDT e PSOL e suporte direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A chapa do PL para 2026
O encontro deste sábado oficializou a chapa que o PL pretende levar às eleições de 2026 em Santa Catarina. Além de Jorginho Mello à reeleição, o partido confirmou Adriano Silva (Novo), prefeito de Joinville, como pré-candidato a vice-governador, e o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro ao lado da deputada federal Caroline De Toni para as duas vagas do Senado.
Fonte: Jornal Razão